O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, e representantes de cinco centrais sindicais e seis confederações e federações de trabalhadores entregaram aos presidentes da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), e do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), um documento com as propostas do movimento sindical contra a recessão e o desemprego. Na proposta, os sindicalistas sugerem a suspensão temporária da dívida pública externa e a renegociação da dívida interna como pontos essenciais para o País recuperar sua credibilidade. E propõe, como medida para evitar a recessão, a redução imediata das taxas de juros e a aprovação de uma reforma tributária. Ao lado disto, há várias sugestões para proteger o trabalhador desempregado: suspensão do pagamento das contas de água, luz e IPTU e a concessão gratuita de transporte coletivo durante o tempo de desemprego, com um limite máximo de 12 meses. Há ainda as propostas de suspensão do pagamento das parcelas da casa própria, pelo mesmo prazo e a ampliação das parcelas do seguro-desemprego, de três a cinco meses para cinco a sete meses, enquanto não for sancionada a nova lei do seguro-desemprego. Para completar, os sindicalistas querem também a redução da jornada de trabalho, de 44 para 36 horas semanais, sem redução de salário para todos os trabalhadores e a limitação das jornadas extraordinárias de trabalho.
Parece incrível que, assim como certos setores do governo, também as lideranças sindicais estejam mais preocupadas com o desemprego do que com o emprego. As sugestões relativas às esmolas para os desempregados (não-pagamento de água, luz, imposto e transporte) são, além de afastadas da realidade, absurdas. Aumentar o prazo para o pagamento do seguro-desemprego, como o governo também já sugeriu, igualmente é a forma errada de enfrentar o problema. A redução da jornada, inclusive com a limitação das jornadas extraordinárias, igualmente não é solução. De modo geral, o que se tem são idéias paternalistas, dentro da mesma ótica que geriu as relações do trabalho no país sem se levar em conta que todo o problema só pode ser adequadamente enfrentado através de uma profunda mudança de mentalidade, inclusive entre as lideranças do movimento sindical.
O Japão está, neste momento, dando uma lição simples no esforço para superar a recessão que o país enfrenta, ao lançar um programa que prevê investimentos e corte nos impostos. O negócio é propiciar condições para aumentar o consumo. No Brasil, felizmente, não precisamos nos preocupar com isto. O brasileiro gosta de consumir. Só precisa ter recursos. Mas terá meios através do trabalho e não de esmolas. Não precisar pagar água, luz, ônibus, enquanto está desempregado, não é a ajuda adequada. Claro, no momento de crise, é um paliativo. Estar sem emprego e não poder sequer sair de casa para procurar trabalho, por falta do dinheiro de uma passagem de ônibus, é tenebroso. Mas isto não resolve.
O que não só as centrais sindicais mas os trabalhadores e os empresários deveriam pleitear, formando mesmo uma frente comum de luta, era a redução dos encargos sociais, a reformulação e adequação melhor da legislação trabalhista, o incentivo aos investimentos produtivos, o estímulo à pequena, média e microempresa através recursos fartos e a juros baixos (juros civilizados, como os praticados em países desenvolvidos). E, finalmente, a menor interferência possível do governo na atividade privada. Isto cria empregos e não é esmola, algo que o desempregado brasileiro não precisa.

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