EDITORIAL - Entraves para o consumo e agenda econômica
A principal aposta do governo petista é aquecer a economia por meio do consumo com os programas sociais como combustível
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de março de 2023
A principal aposta do governo petista é aquecer a economia por meio do consumo com os programas sociais como combustível
Folha de Londrina 
O trinômio juros altos, inflação pressionada e endividamento elevado tem tirado o sono da equipe econômica do novo governo. Isso porque a recuperação plena da economia brasileira passa por sanar o quanto antes estes problemas.
Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que o consumo das famílias brasileiras fechou 2022 com crescimento acumulado de 4,3%. No entanto, analistas avaliam que o número poderia ser maior se o cenário fosse mais favorável, o que funcionaria para impulsionar o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto).
Segundo o Instituto, o PIB brasileiro fechou 2022 com crescimento de 2,9%, mas com desaceleração no quarto trimestre, o que indica perda do dinamismo que deve se prolongar pelo início de 2023, o que vai demandar medidas de impacto na política econômica.
Em um sinal para tentar convencer o Banco Central a reduzir a taxa de juros, a Selic, que atualmente está em 13,75% - uma das maiores do mundo - o governo federal resgatou a taxação sobre os combustíveis e criou imposto na exportação de petróleo.
Especialistas ouvidos recentemente pela FOLHA se dividem se a redução dos juros neste momento seria benéfica. Se por um lado impulsionaria o consumo, por outro poderia provocar uma disparada na inflação.
Além disso, para que muitos consumidores possam voltar a contrair crédito, eles terão que colocar a casa em ordem. De acordo com a pesquisa SPC/Acil, a inadimplência aumentou 4% em Londrina em fevereiro. Segundo o economista Marcos Rambalducci, consultor econômico da Acil, a alta no índice se justifica pela inflação e pelo pagamento dos impostos e tributos no início do ano.
A principal aposta do governo petista é aquecer a economia por meio do consumo com os programas sociais como combustível. O novo Bolsa Família, relançado pelo governo federal em substituição ao Auxílio Brasil, começa a pagar benefícios médios de R$ 715 para 20,8 milhões de beneficiários a partir do dia 20 deste mês.
Outra aposta é na retomada do Minha Casa, Minha Vida. A proposta é atender famílias com renda mensal de até R$ 8 mil, na zona urbana, e anual de até R$ 96 mil, na zona rural. Ainda na infraestrutura, o governo lançou o programa dos 100 dias, um pacote de melhorias em rodovias e construção de ferrovias.
Outro tema importante discutido na Câmara dos Deputados é a reforma tributária. É de comum acordo que o sistema precisa ser modernizado, porém as propostas iniciais dividem os setores da economia. O agronegócio, por exemplo, teme que um sistema de imposto único ocasione perdas para o segmento.
Com tantas pautas na agenda, o primeiro semestre de 2023 promete ser decisivo para os rumos da economia brasileira.
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