Editorial - Emprego, o melhor presente
Cerca de 3 mil trabalhadores da Ford, no ABC paulista, estão recebendo comunicado, por carta, informando que não precisarão mais voltar ao trabalho no começo do próximo ano. Em Foz do Iguaçu, a Câmara Municipal aprovou projeto de lei que autoriza o prefeito a demitir cerca de 400 servidores. Deve-se também pensar naquele grande número dos que conseguiram emprego neste mês, época em que aumenta a oferta de trabalho temporário, e que, com o fim do período de festas, vão voltar à situação anterior, sem emprego e, até como consequência natural, sem esperança. Estes são apenas alguns de um número não conhecido de casos atuais que mostram que, para alguns milhares de pessoas (talvez bem mais, quando se pensa nas famílias dos que perdem o emprego), este não vai ser um bom Natal, nem seguramente vão poder esperar por um próspero Ano Novo. A perda do emprego agora, a falta dele há longo tempo e, principalmente, a inexistência de perspectivas concretas para um futuro imediato representam, sem dúvida, a mais triste das situações em qualquer época e mais ainda agora.
Todos os que se debruçam sobre o complicado estudo da chamada futurologia, pelo menos a curto prazo, apresentam dados negativos sobre o ano que vai começar. Antecipam recessão ainda pior, estimam que os problemas nacionais e internacionais devem ser ainda maiores e não prevêem qualquer melhoria no 1999 que está para começar. Os mais otimistas ainda sinalizam com alguma coisa menos ruim lá pela metade do ano que vem. Mas, a curto prazo, parece haver uma quase unanimidade em relação às dificuldades que vão piorar o quadro do desemprego e tornar ainda mais difícil a vida dos brasileiros.
É preciso, porém, ter em mente que futurologia não é ciência exata e que um país governado por pessoas responsáveis não pode aceitar passivamente um quadro tão negativo. Permitir que uma pessoa passe fome no Brasil é um crime. A terra é fértil, o clima é propício. Claro, há problemas como a seca no Nordeste, mas, até mesmo como se viu ao longo deste ano, a partir do momento em que as notícias sobre a fome dos nordestinos foram veiculadas perpassou pelo país uma onda de solidariedade. Isto, porém, não precisa acontecer só quando há seca. A recessão atual, aliás, é mais séria do que qualquer seca. E a situação a que milhares de brasileiros estão sendo lançados, sem sequer a esperança de um trabalho digno que lhes permita garantir o sustento para suas famílias, é um acinte e uma vergonha para este país tão rico.
No primeiro dia de janeiro, o Brasil não vai ter um novo governo. O que acontecerá naquele dia será a posse do mesmo presidente que está no cargo há 4 anos. Isto significa que não é preciso esperar a mudança, que não será necessário aquele famoso período de transição, a adaptação dos novos governantes ao cargo e ao país. A idéia da reeleição, na verdade, é precisamente esta da sequência, embasada por outra segundo a qual não é possível fazer tudo o que um governo se propõe em apenas 4 anos. Assim, não há desculpas para atrasos ou adiamentos, do mesmo modo como não existe motivo para se aceitar de modo tão passivo esta situação.
Os empresários estão mobilizados na busca de alternativas. Os trabalhadores, também. O brasileiro quer trabalhar. O que o governo precisa fazer é dar sua contribuição, através de estímulos reais ao investimento produtivo, adotando uma nova política, inclusive com mudanças concretas na legislação trabalhista que, em muitos casos, inibe o emprego e o salário. Os trabalhadores brasileiros precisam e merecem o melhor presente de Natal: o emprego!





