Editorial - Em busca de alternativas
A Associação do Comércio Exterior assinala que a crise no sudeste asiático vai agravar as dificuldades do Brasil: a importação deve aumentar ao mesmo tempo em que, até naturalmente, o déficit na balança comercial deve ser maior neste 1998. Prever problemas,
na realidade, não é difícil, constituindo, aliás, um exercício muito comum para analistas. Todavia, e mesmo sem pretender que se enxergue o mundo com uma visão tolamente otimista, não há dúvidas que existem meios efetivos para enfrentar esta tão comentada crise, assim como há alternativas bastante concretas no sentido de reverter situações que parecem conduzir a mais dificuldades. O Brasil, desde a grande abertura comercial iniciada no governo Collor, vem enfrentando sucessivos déficits em sua balança. E, naturalmente, isto produz uma série de problemas.
Entretanto, mesmo dentro das dificuldades, encontra-se, muitas vezes, o germe da solução. Se é fato, por exemplo, que o Brasil deve continuar gastanto muito na importação de coisas que chegam mais baratas, inclusive devido a facilidades tributárias e se também é certo que muitos produtos nacionais encontram obstáculos para ganhar mercado externo, é possível analisar a situação como um todo e buscar soluções alternativas. Quando, nos anos 70, eclodiu o grande choque do petróleo, com os preços do combustível elevando-se até quatro vezes, a balança comercial brasileira sofreu enorme impacto e foi necessário buscar alternativas, inclusive no campo energético. Paralelamente, estabeleceu-se um grande esforço no sentido de reduzir a dependência de outros produtos, que poderiam ser obtidos internamente, caso do trigo, cuja importação representava um ônus imenso. Foi uma época em que o estímulo à triticultura modificou até o panorama da agricultura nacional. O desafio provocou a adoção de alternativas que deram resultado.
Pouco antes do final do ano passado, o presidente do Instituto brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), antecipou, em entrevista a uma agência de notícias estrangeira, que o Brasil, que possui uma das maiores reservas florestais do mundo, poderá ver-se obrigado a importar madeira a partir do ano de 2004. O crescimento do consumo nos setores brasileiros de papel e celulose e a escassa replantação de árvores podem provocar uma demanda maior que a oferta, disse. Ao mesmo tempo, porém, deu a solução: para evitar essa situação, segundo ele, seria necessário investir, a partir de agora de US$ 200 a US$ 300 milhões anuais em novas plantações florestais. Temos - lembrou - uma tecnologia avançada neste setor, e um clima ideal: por isso, se o reflorestamento não for rentável no Brasil, não pode ser em nenhuma parte, explicou o presidente do Ibama, órgão ligado ao ministério do Meio Ambiente.
Existem atualmente no País 4,6 milhões de hectares de florestas plantadas, em regime de produção, que geram receitas equivalentes a 5% do Produto Interno Bruto (PIB), assim como 700 mil empregos diretos e 2 milhões indiretos. Investir no setor, não apenas será uma forma de modificar previsões negativas, reduzindo a necessidade de importar o que o país pode produzir, como também um modo de estimular o setor com mais empregos, melhorando a perspectiva geral da economia. Os US$ 300 milhões que, segundo o titular do Ibama, devem ser investidos para evitar que a madeira se torne mais um item de importação, constituem investimento valioso sob todos os pontos de vista. E é este, sem dúvida, o caminho a seguir para superar previsões negativas e criar condições reais para que a situação do Brasil melhore.





