Pesquisa recentemente divulgada, sem qualquer ligação com partidos políticos, revela que menos de 30% dos eleitores lembram, hoje, em quem votaram há quatro anos para deputado federal ou estadual. O trabalho, sério, tem o objetivo de chamar a atenção do eleitor sobre a importância do voto que vai dar, dentro de 11 dias, para compor as Assembléias Legislativas e a Câmara Federal. A preocupação maior está no reconhecimento segundo o qual a indecisão e mesmo a declaração de voto branco ou nulo é bem maior no que diz respeito aos chamados pleitos proporcionais (Assembléias e Câmara Federal) do que aos pleitos majoritários (Senado, governos e Presidência).
De modo geral, os índices relativos aos eleitores ainda indecisos (e também entre os que já declaram, taxativamente, que não pretendem votar em ninguém) é alto, em todas as cinco opções que o eleitor terá de fazer a 4 de outubro. Esta situação, aliás, serve ainda como incentivo a muitos candidatos que surgem com pequena margem nas pesquisas eleitorais, cada vez mais confiáveis (pelo menos as dos institutos mais tradicionais e conhecidos). A grande margem de indecisos, efetivamente, poderia até mudar a situação se, naturalmente, todo aquele contingente migrasse para um candidato só. Não é muito provável, mas sempre é uma esperança.
O que, porém, preocupa é que o número dos que não sabem em quem vão votar e dos que, no dia 4, vão acabar preferindo anular o voto ou deixá-lo em branco é muito alto. Uma situação que é séria, na medida em que representa uma atitude de desencanto em relação ao governo e que, no fim, acaba resultando em prejuízo para o próprio sistema. Pois é através da participação direta do eleitor que se estabelecem as bases reais para o aperfeiçoamento democrático. A escolha feita na urna é o passo inicial. O cuidado de selecionar bem o candidato, a preocupação de manter presente na memória aquele em quem se votou é outro fator importante até pela possibilidade de uma cobrança efetiva ao eleito.
Para muitos, a cobrança poderia ser ainda mais efetiva caso se implantasse no País o sistema distrital para as eleições dos representantes no Legislativo. O sistema funciona, por exemplo, na Inglaterra: cada membro da Câmara dos Comuns é eleito por um distrito eleitoral. Com isto, existe uma relação muito mais próxima do eleitor com o seu representante. É sem dúvida um sistema interessante, mas não o que vigora ainda no Brasil. Então, o que se faz necessário é que o eleitor, diante mesmo do imenso quadro de candidatos que se oferecem para compor os Legislativos estadual e federal, faça uma análise mais profunda, gaste algum tempo no trabalho de saber quais são os postulantes para, então, fazer uma seleção criteriosa. E, naturalmente, depois de escolher e votar, guarde bem o nome do candidato para cobrar dele o cumprimento das promessas, a realização dos compromissos assumidos durante a campanha.
Para o brasileiro, de modo geral, as eleições majoritárias (em especial as para governador e presidente) são as mais importantes, o que tem certa razão porque o País vive o presidencialismo. Mas a estrutura tripartite do poder e a valorização do Legislativo, após a redemocratização, dão dimensão maior às Assembléias e ao Congresso, vitais na formulação da política, vale dizer do futuro do país. Logo, escolher bem deputados estaduais e federais é tão importante quanto o voto no presidente, governador e senador. E lembrar bem de quem se escolheu, cobrar atitudes do representante, é elemento complementar para o aprimoramento da própria democracia.

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