Dia do Meio Ambiente
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado hoje por uma centena de países, é dedicado este ano às ameaças que pesam sobre o futuro do nosso planeta. O slogan escolhido pelas Nações Unidas - ‘‘A Terra é nosso futuro, vamos salvá-la!’ -, traduz o objetivo maior previsto pelos promotores, o de que ‘‘todos renovem seu compromisso de proteger e respeitar o planeta em que vivemos’’. ‘‘Apesar de a proteção da Terra ser considerada uma grande causa, continuamos usando e abusando do meio ambiente’’, declarou o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, em uma mensagem escrita para marcar a data. ‘‘Todos os dias deveriam ser Dia Mundial do Meio Ambiente, já que todas as atividades do homem afetam a Terra e o estado da Terra afeta a todos’’, observou o secretário-geral, afirmando que a ONU ‘‘assume seriamente suas responsabilidades em relação ao planeta’’.
‘‘Podemos lutar contra a fome, a doença, a pobreza, a poluição do ar e da água, a degradação dos solos, o buraco da camada de ozônio, e todos os demais problemas do meio ambiente, mas temos que fazê-lo imediatamente e com presteza se quisermos solucioná-los’’, estimou, por sua parte, Klaus Toepfer, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUE). Toepfer descreveu um mundo em que a população cresce perigosamente (800 milhões de pessoas a mais nos próximos dez anos) e se concentra cada vez mais nas cidades (50%, contra 10% há um século), no qual a água é cada vez mais disputada, os bosques tropicais estão ameaçados (11 milhões de hectares destruídos a cada ano), as espécies desapareceram 5.000 vezes mais rapidamente que seu ritmo natural de extinção, e substâncias químicas afetam um número crescente de pessoas, com a produção anual de 350 milhões de toneladas de dejetos perigosos. Acrescentou que, já que o consumo mundial de energia ‘‘aumentará consideravelmente’’, haverá uma alta de emissões de dióxido de carbono (CO2) ‘‘de 30% a 40% até o ano 2010’’, época em que os países se comprometeram em reduzir em 5% as emissões desse gás dentro do protocolo de Kyoto sobre o efeito estufa, o que sem dúvida não servirá para resolver o problema em sua plenitude.
Toepfer defende ‘‘novos modos de industrialização baseados em energias renováveis e na reutilização e reciclagem contínua dos materiais’’, como alternativas únicas dentro de uma luta que deveria sensibilizar mais as pessoas porque o risco do fracasso na luta contra a poluição é o da falta de condições efetivas para a vida humana no planeta. Na verdade, este é talvez o fato fundamental, raramente colocado, mas que deveria estar em primeiro lugar nas preocupações de toda a humanidade. A situação atual do planeta é precária, o aumento da população constitui um desafio, a falta de atitudes concretas no sentido de preservar o ambiente é uma ameaça tão grande que não poucos estudiosos consideram que não há sequer como reverter o quadro de degradação total da Terra, em algumas décadas, com todas as suas consequências.
Como, porém, a própria Terra reage bem a medidas de preservação e levando em conta a capacidade do ser humano, que já se mostrou capaz de enfrentar os mais fortes desafios, atingindo pontos de desenvolvimento realmente inconcebíveis há algumas décadas, é possível ter esperanças de superação das dificuldades para garantir que a Terra continue a proporcionar vida a todos os seus habitantes. A tarefa é complexa e, como assinalou o diretor-executivo do Programa da ONU para o Meio Ambiente, é vital que haja conscientização real e planetária para a questão. Se os seres humanos se convencerem da gravidade da situação e se houver disposição para enfrentá-la, a Terra ainda tem esperanças de salvamento, apesar de todas as dificuldades que existem atualmente.

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