Estudo publicado esta semana, em Washington, pela ONG americana Population Reference Bureau, especializada em estatísticas populacionais, assinala que a cooperação internacional é indispensável para controlar o impacto da expansão demográfica e o consumo dos recursos naturais sobre o meio ambiente. Para enfrentar o aumento da população mundial, que alcançará entre 8 a 12 bilhões de indivíduos em 2050, o estudo da ONG preconiza acordos idênticos ao assinado dezembro passado em Kioto (Japão) para reduzir as emissões de gás responsáveis pelo efeito estufa. Conforme os dados levantados pela entidade, 90% do crescimento demográfico acontecerá nos países em desenvolvimento, onde os recursos de água já são insuficientes e o aumento da produção agrícola acompanha a degradação do solo.
O aumento da população acarretará maior consumo dos recursos naturais, afirma o estudo. O consumo de produtos de madeira deve aumentar 50% até 2010, enquanto um quinto das matas tropicais já foi destruído entre 1960 e 1990. Uma pesca demasiado intensiva também coloca problemas. Mais de 80 milhões de toneladas de peixes foram capturados em 1995, contra 20 milhões de toneladas em 1950, segundo estatísticas da FAO citadas no estudo. A fim de limitar a destruição do meio ambiente, os autores pedem aos governos que promovam a reciclagem, eliminem subvenções às atividades destruidoras e administrem melhor as zonas pesqueiras e as matas.
Exatamente por fugir ao tom apocalíptico, tão comum em trabalhos deste tipo, estudo da Population Reference Bureau é uma contribuição importante na busca de alternativas para enfrentar o problema cada vez mais grave do crescimento populacional no planeta. Não há emocionalismo, tanto que o estudo nem sugere a redução da natalidade por qualquer método em parte alguma do mundo. O que a ONG sustenta é uma previsão clara e objetiva sobre um futuro não muito distante e pede providências que exigem ações amplas e conjuntas para prevenir dificuldades que surgirão, inevitavelmente.
A população do mundo está crescendo em proporções inéditas na História, notadamente nos continentes do Terceiro Mundo. E a preocupação com o esgotamento dos recursos naturais deve ser levada a sério. A possibilidade de uma explosão demográfica que produza, como consequência da escassez de recursos naturais, conflitos armados por terra, água e comida não pode ser descartada como teoria negativista. Em meados do século podia, hoje não pode mais.
Não são poucos os especialistas que entendem que a Terra tem meios suficientes para satisfazer as necessidades da população no próximo século. Mas para que essas previsões otimistas ocorram é vital que haja um trabalho competente e global para proteger as fontes de recursos naturais: as florestas, os rios, e os mares, além das terras agricultáveis. Para isso devem ser feitos acordos internacionais amplos. O acordo de Kioto é um exemplo a ser seguido, embora deva ser mais difícil de obter o consenso sobre os meios de controlar o crescimento acelerado da população.
Mas é importante que o mundo desperte para a seriedade do problema e trabalhe para encontrar soluções. Não só na questão da explosão demográfica, mas também no controle das formas de poluição e degradação não incluídas no acordo de Kioto.

mockup