Participando do seminário sobre o impacto da crise financeira mundial na América Latina e no Caribe, promovido pela OEA, o Presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Enrique Iglesias, comentou que estamos passando pela ‘‘primeira crise do século XXI, a crise de um mercado financeiro globalizado’’, destacando a maturidade com que o Brasil a está enfrentando e em especial as medidas tomadas pelo governo e a determinação do Congresso Nacional em seguir adiante com a reforma fiscal. O presidente do BID lembrou, ainda, que este é um momento delicado, porque os países da América Latina estão enfrentando uma recessão, ou um declínio no crescimento, o que torna necessária a criação de uma rede de segurança social. Entende, ainda, que deve ser mantido o compromisso com a integração econômica entre os países, evitando-se a tentação do retorno das medidas protecionistas. Para Iglesias, é um grande erro enfraquecer o processo de integração econômica.
Por seu turno, o presidente do Banco Mundial, James Wolfensohn, considerou que a América Latina demonstra uma razoável capacidade de reação, se comparada com o resto do mundo, na medida em que se compromete com um ajuste fiscal, afirmando contudo estar impressionado com o crescimento da crise nos últimos dias. Insistiu, porém, na idéia segundo a qual existem razões para manter a calma, principalmente em função da resposta do governo brasileiro, que está fazendo o possível para dominar a situação, segundo ele. Para o presidente do Banco Mundial, a situação da América Latina não está marcada unicamente pela crise financeira atual. Em seu entendimento, existe um outro lado que é ainda mais importante: a estrutura social. Para a América Latina manter um contínuo desenvolvimento com estabilidade social é preciso ter bons governos, combater a corrupção, organizar os sistemas jurídicos e legais, defender o regime da propriedade privada e os direitos dos indivíduos, assim como pensar na melhoria da saúde a da educação, enumerou. Wolfensohn assinalou que a América Latina está à frente de muitas outras regiões do mundo em termos da construção de um consenso - entre o governo, organizações multilaterais e bilaterais, sociedade civil e setor privado - em torno dos grandes objetivos nacionais de melhoria social e estrutural.
Posteriormente, em um encontro realizado na última quarta-feira, em Munique, James Wolfensohn reafirmou sua confiança nas perspectivas de crescimento da América do Sul. ‘‘Tenho muita confiança na América do Sul’’, disse num seminário de dois dias sobre a América Latina, organizado pelo grupo industrial alemão Siemens. Wolfensohn frisou as importantes perspectivas de crescimento para a América Latina, apesar da crise brasileira. Wolfensohn considera que os países latino-americanos estão ‘‘mais bem armados’’ do que os da Ásia para enfrentar os desequilíbrios dos mercados financeiros internacionais e solicitou às empresas alemãs que invistam mais na região.
Tratam-se de testemunhos da maior relevância, partidos daqueles que não apenas entendem da questão mas estão ligados aos esforços para resolver os problemas que assustam e preocupam países e povos. Numa hora em que os especuladores manipulam de modo insensível as dificuldades, ampliando-as com o objetivo de ganhar cada vez mais, é imprescindível acompanhar as reações dos que, sem interesses pessoais, têm o compromisso de oferecer alternativas para a situação. A visão deles é vital para que possamos reagir do modo mais racional diante das dificuldades.

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