Editorial - Crescimento limitado
A economia brasileira não vai crescer no segundo semestre tanto quanto era projetado pelas autoridades do setor. A equipe econômica está se deparando com uma realidade com a qual não contava e já se admite a dificuldade de se atingir, ao fim deste ano, o crescimento econômico projetado que permitiria aumento em torno de 4% do PIB em 99. O resultado do primeiro semestre não atendeu às expectativas dos economistas do governo, já que diversos setores não retomaram seus investimentos na velocidade imaginada. Vamos fazer um esforço para que, na média deste ano, a economia esteja crescendo 1,5% do PIB, na melhor das hipóteses, admitiu uma fonte do governo.
O crescimento de 1,5% do PIB é insuficiente para propiciar condições de solução dos múltiplos problemas que o País enfrenta, inclusive na complexa e carente área do emprego. Por causa desta situação, surgem pressões maiores para que o Ministério da Fazenda e Banco Central atuem de forma ordenada para irrigar a economia. A percepção de que as medidas adotadas em novembro impuseram um freio na economia, dificultando os objetivos de desenvolvimento projetados pelo governo, mostra a importância de uma reformulação na estratégia. O Brasil precisa retomar o crescimento, pelo menos a um nível capaz de reduzir as dificuldades atuais e com o cuidado de não colocar em risco a estabilização e todos os ganhos já conquistados ao longo do período.
Ao lado desta perspectiva não muito animadora, é possível observar também as preocupações que continuam a existir em relação ao mercado mundial. O alerta feito pelos principais responsáveis pela economia norte-americana sobre a possibilidade de nova crise na Ásia deve ser recebido com cautela. O Brasil continua a sofrer, como se observou, os efeitos das medidas que teve de adotar em novembro último, para evitar os piores efeitos da situação asiática. Uma repetição dos fatos agora poderia produzir dificuldades muito maiores, internamente. Assim, medidas destinadas a um reaquecimento da economia devem levar em conta, de um lado, toda a situação mundial e, de outro, as necessidades internas.
De positivo, há a assinalar que este novo diagnóstico revela que os responsáveis pela política econômica brasileira continuam hoje tão atentos quanto têm estado desde o lançamento do plano de estabilização. Com efeito, o acompanhamento da situação, feito desde que o governo Itamar Franco lançou as bases do programa, constitui um dos fatores mais importantes no trabalho de recuperação da moeda, com todas as suas consequências. Este acompanhamento continua, como se percebe na recente redução do IOF, feita com cautela e que objetivou diminuir um pouco a pressão sobre a atividade produtiva. Aquela medida deveria ser seguida de outras que, agora, são reavaliadas exatamente diante da análise sobre as perspectivas para o segundo semestre.
Setores do Banco Central, inclusive, ponderam que é preciso que, na adoção de medidas tendentes a aquecer a economia, seja levado em conta o perigo de se produzir uma bolha de consumo, perigosa diante do cenário de incertezas tanto no mercado interno como no mundo. Isto indica, basicamente, que ainda há alguns sacrifícios e dificuldades a superar antes que a economia do País possa retomar o ritmo capaz de reverter as atuais dificuldades dos setores produtivos.





