EDITORIAL - Conter as mortes no trânsito
Londrina conseguiu reduzir este ano o número de vítimas nesse tipo de ocorrência
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sexta-feira, 26 de setembro de 2025
Londrina conseguiu reduzir este ano o número de vítimas nesse tipo de ocorrência
Folha de Londrina 
Como uma epidemia silenciosa, o trânsito no Brasil mata todos os anos milhares de pessoas. Em 2023, foram 35 mil vítimas fatais. As internações hospitalares no SUS (Sistema Único de Saúde) causadas por acidentes de trânsito chegaram no ano passado ao total de 227.656, o equivalente a uma vítima recebendo atendimento de emergência a cada dois minutos, segundo a Abramet (Associação Brasileira de Medicina do Tráfego).
Ainda conforme a entidade, o impacto dos sinistros de trânsito sobre o SUS é enorme. Com base em dados oficiais do Ministério da Saúde, a associação apontou que, nos últimos dez anos, o sistema público de saúde brasileiro contabilizou 1,8 milhão de internações devido a essas ocorrências, totalizando R$ 3,8 bilhões em despesas hospitalares diretas.
Londrina conseguiu reduzir este ano o número de vítimas de acidentes de trânsito. De janeiro a agosto de 2025 foram 2.344 vítimas em 2.037 acidentes, segundo dados da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização). O número é 6,9% menor que o registrado no mesmo período de 2024, quando a companhia contabilizou 2.518 vítimas. A quantidade de sinistros também caiu 6% em comparação com o ano anterior, quando foram calculados 2.167 acidentes.
O boletim estatístico da CMTU aponta a ocorrência de 45 óbitos em 2025, sendo 27 em vias municipais e 18 em rodovias estaduais e federais na circunscrição do município. Entre as vias municipais, Av. Saul Elkind lidera com quatro mortes, seguida pela Av. Tiradentes (3) e pela Av. Arcebispo Dom Geraldo Fernandes, a Leste-Oeste (2). Nas rodovias, a PR-445 lidera com oito óbitos, seguida pela BR-369 (5).
Os homens são 86% do total de vítimas fatais, segundo a CMTU. A maioria das vítimas tinha entre 31 e 59 anos.
Dentre as 2.344 vítimas deste ano, até agosto, 153 foram atropeladas, das quais oito morreram. No mesmo período de 2024 o número de atropelamentos foi de 159. Uma redução 3,7% se comparado ao último ano.
Para o diretor de Trânsito da CMTU, Rafael Sambatti, a ligeira redução no número de acidentes – e, consequentemente, no número de vítimas em relação a 2024 – é resultado da adesão do município, em 2022, ao Pnatrans (Plano Nacional de Redução de Mortes e Lesões no Trânsito), que orienta gestores e estabelece metas para diminuição de mortes e lesões no trânsito.
Sambatti explicou que cada acidente com vítimas é detalhadamente analisado. Em caso de ocorrências com óbitos, é verificada a geometria da via, a sinalização viária e a característica dos envolvidos. Ainda segundo o diretor, a maioria das ocorrências com óbito é causada por elementos vinculados ao comportamento humano, como avanço de preferencial, excesso de velocidade e ingestão de álcool.
Ele esclareceu também acidentes com motos causaram a maioria dos ferimentos em condutores e passageiros, frisando ainda que cerca de 50% dos motociclistas envolvidos em ocorrências com óbito não tinham habilitação ou estavam com o documento suspenso.
O Pnatrans foi criado em 2018 para combater as mortes e lesões no trânsito com a proposta de reduzir esses índices pela metade até 2030. A meta é audaciosa, mas é importantíssimo buscar os resultados, que só serão alcançados com campanhas educativas, conscientização, fiscalização, qualidade e rapidez no atendimento às vítimas, além de trabalhar pela segurança veicular e das vias.
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