Nesta terça-feira (3), a poucas horas do resultado das eleições presidenciais nos EUA, a torcida por um ou outro candidato é grande não só entre os norte-americanos, mas em muitos países. O republicano Donald Trump está bem atrás do democrata Joe Biden nas intenções de voto popular. Feita há dois dias pela NBC News com o Wall Street Journal, uma pesquisa mostrava Biden com 51% das intenções de voto e Trump com 42%. A sondagem foi realizada com 1.000 eleitores, entre 29 e 31 de outubro, e apresenta margem de erro estimada em 3,1 pontos percentuais.

Tendo em isso em vista, o governo brasileiro vê balançar, nestas eleições, seu pacto com o governo Trump.

Todos os dias o presidente Bolsonaro recebe informações sobre o pleito norte-americano. Se é fácil prever que ele receberia calorosamente a vitória de Trump, comenta-se a boca miúda que há preocupações se a vitória for de Biden. Na imprensa, esta semana, dizia-se que já está decidido que ele parabenizará, claro, o adversário de Trump se ele for eleito e que o Ministério das Relações Exteriores fará as honras no caso dessa vitória. Mas sabe-se que esse resultado será engolido a duras penas uma vez que Bolsonaro escolheu, há muito tempo, o governo Trump como seu principal aliado.

Bolsonaro e Trump partilham o mesmo perfil ideológico de direita, colocam-se como baluartes contra os regimes de esquerda na América Latina, bem como partilham de vertentes negacionistas em relação à prevenção da covid-19 em seus países, estando entre os poucos líderes mundiais que desfilam sem máscaras durante a pandemia.

Se Trump vencer de novo já se sabe o que pode se esperar da aliança entre os dois países, um acordo de simpatia que, no entanto, nem sempre corresponde à prática. No último mês de agosto Trump suprimiu as cotas de importação do aço brasileiro, numa atitude que pegou o Brasil de surpresa. Essa atitude foi lida pelos analistas como um sinal de que a amizade de Trump por Bolsonaro tem limites.

Já se Biden vencer as eleições vai fazer valer as sanções prometidas caso o governo brasileiro não modifique sua política atual em relação à Amazônia e ao meio ambiente como um todo. Mais de uma vez, durante a campanha, ele advertiu sobre isso. Essas posições, de um lado e de outro, mostram que as eleições americanas terão um papel importante na economia e na política brasileiras seja qual for o resultado.


Mas ainda é cedo para saber quem, afinal, será o vencedor, mesmo que as pesquisas apontem a vantagem de Biden. As intenções de voto popular nos EUA não representam muito, tendo em vista que um colégio eleitoral, formado por 538 pessoas em todos os estados da federação, é que decide o vencedor. Em resumo, os eleitores não votam diretamente para escolher o presidente, votam nos delegados desse colegiado em cada estado da federação. Para um candidato ser considerado vencedor ele deverá ter 50% mais 1 voto neste colegiado, ou seja 271 votos. Por causa disso, os candidatos que têm a preferência da população nas pesquisas nem sempre são os vencedores. Num sistema considerado complicado ou mesmo obsoleto, ninguém sabe o que poderá acontecer. As eleições norte-americanas só se definem pelo colegiado e, a cada quatro anos, são uma incógnita.

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