Editorial - Combate à violência
Combate à violência
A Frente Parlamentar pela Paz, que reúne cem deputados federais, lançará dia 18, em Campinas, no interior de São Paulo, o Projeto Ano 2000 Ano Internacional por uma Cultura de Paz, que tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de prevenção e combate à violência. A campanha faz parte do Programa Cultura de Paz, lançado em 1995 pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). Conforme o deputado federal Hélio de Oliveira Santos (PDT-SP), coordenador da Frente, o principal objetivo do projeto é conscientizar a sociedade e traçar algumas diretrizes para a prevenção à violência. Campinas foi escolhida para o lançamento da campanha por apresentar os maiores índices de criminalidade entre os municípios do interior. Só este ano, segundo dados da Polícia Civil, 388 pessoas morreram na cidade, vítimas de tiroteios, latrocínios ou homicídios.
O projeto segue os princípios previstos no manifesto em apoio a uma cultura de paz, assinado em 1997 por vários países. A Unesco escolheu o período de 2001 a 2010 para ser a década internacional da cultura da paz e da não-violência para as crianças de todo o mundo. A idéia é reunir os vários grupos envolvidos com projetos educacionais e de amparo à infância no país para definir ações mais apropriadas ao desenvolvimento de uma cultura de paz. O primeiro encontro acontecerá em Campinas, dia 18, quando representantes de diversas instituições nacionais e de outros países discutirão as causas da violência e a melhor estratégia para impedir seu crescimento.
O coordenador da Frente, além de afirmar que o elevado índice de desemprego é a principal causa da violência no País, assinala que o Estado não cumpre o dever de garantir segurança ao cidadão, não previne e nem reprime a criminalidade. Aí, sem dúvida, estão as bases maiores do problema que se pretende enfocar a partir de uma campanha que é mais que oportuna. O Brasil está vivendo uma era de violência crescente. Os crimes se sucedem com tamanha frequência que a sociedade começa a aceitar esta situação de modo fatalista. A idéia relativa ao papel do desemprego como uma das causas da violência não parece deslocada, mas é certo que atribuir a esta questão a principal responsabilidade pelo problema é enganoso. Há que distinguir as situações. O desempregado pode, inegavelmente, tornar-se mais violento, inclusive em suas relações familiares. Entretanto, o cidadão bem formado não apela para o crime diante do desemprego ou da falta de recursos. Há, portanto, dois enfoques na observação desta problemática. E é certo que a própria escolha da cidade para ser a sede do começo da campanha indica que a preocupação maior reside mesmo no crime, que representa hoje um dos maiores desafios à sociedade.
Campinas pode ser, conforme os levantamentos, o município com maior índice de criminalidade entre as cidades do interior do País. Todavia, hoje, a simples observação das ocorrências por todo o Brasil deixa claro que a população está diante de uma situação complicada, com um crescimento assustador dos níveis da criminalidade. O Projeto que se pretende lançar na próxima semana constitui, sem dúvida, um esforço importante para tentar modificar um quadro cada vez mais preocupante. É imperioso, porém, que este trabalho ganhe divulgação plena e a amplitude necessária para atingir todo o Brasil, envolvendo a sociedade nacional nesta verdadeira cruzada. Na verdade, o quadro de crime e violência que se vislumbra no País indica a necessidade de uma participação plena em campanhas como esta, até como imperativo para a própria sobrevivência da civilização, como a queremos e entendemos, para o começo do novo milênio.





