A história se repete e, como aconteceu no ano passado com o filme "Ainda Estou Aqui", as indicações brasileiras ao Oscar 2026 recolocam o cinema nacional sob os holofotes internacionais e renovam um sentimento que extrapola uma simples torcida. Estamos falando do reconhecimento de uma cadeia criativa que, mesmo diante de desafios históricos de financiamento e distribuição, segue produzindo obras relevantes, diversas e conectadas com o nosso tempo. Independentemente do resultado final da premiação, estar na disputa com quatro indicações do filme "O Agente Secreto" já é, por si só, um sinal muita vitalidade artística.

O longa do diretor Kleber Mendonça Filho foi indicado simultaneamente às categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco (uma nova categoria), enquanto Wagner Moura recebeu indicação a Melhor Ator por sua elogiada atuação no filme.

Em outra frente, o país também aparece entre os destaques técnicos. O brasileiro Adolpho Veloso concorre a Melhor Fotografia por "Sonhos de Trem".

A lista foi anunciada nesta quinta-feira, (22) pela Academy of Motion Picture Arts and Sciences, marcando o início da etapa decisiva da 98ª edição do maior prêmio do cinema norte-americano e confirmando um momento histórico para o cinema brasileiro.

A cerimônia do Oscar 2026 acontece em 15 de março e esse bom momento do cinema nacional encontra eco em cidades fora do eixo tradicional de produção, como Londrina. Ao longo dos anos, o município consolidou um ambiente fértil para a economia criativa do cinema, com festivais, mostras, cursos de formação e uma geração de profissionais que atuam em diferentes etapas da cadeia do setor audiovisual. Trata-se de um capital de arte e economia que merece ser valorizado e ampliado.

Londrina não apenas consome cinema; produz, debate e forma. A presença do audiovisual na vida cultural da cidade movimenta empregos, fomenta inovação e amplia o diálogo com outras áreas criativas, como música, design, publicidade e tecnologia. Em um cenário em que a economia criativa ganha peso estratégico no desenvolvimento urbano, o cinema se apresenta como vetor de identidade e oportunidade.

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