As últimas notícias sobre o comportamento da inflação brasileira, que bate um recorde histórico de baixa, recebem um balde de água fria jogado por outra notícia: o preço da cesta básica, em vez de cair, subiu. A pesquisa mensal nacional do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) revela que os preços da cesta básica aumentaram em 16 capitais do País. Pelo quinto mês consecutivo, o maior custo dos gêneros de primeira necessidade foi apurado em Curitiba, totalizando, neste mês, R$ 103,53.
O levantamento também registrou valores acima de R$ 100,00 nos preços em São Paulo e Rio de Janeiro, onde o custo foi de R$ 101,97 e R$ 100,36, respectivamente. As maiores altas foram registradas no Nordeste: Natal (12,76%), Aracaju (8,75%) e Fortaleza (8,69%). Destacam-se ainda as altas de 6,63% em Brasília, 6,14% em João Pessoa e 6,09% em Porto Alegre. As três cidades onde o levantamento registrou as menores altas foram Belo Horizonte (0,29%), Rio de Janeiro (1,15%) e Vitória (1,20%).
À primeira vista, os dados são conflitantes: se a inflação continua em queda, os preços da cesta básica deveriam seguir o mesmo rumo. Mas a inflação é a média de todos os preços num determinado período, comparada com a média de todos os preços de um período igual anterior. A cesta básica é uma fração de todos os preços da economia e pode ter comportamento oposto ao da inflação geral, sem contudo afetá-la para cima ou para baixo. No entanto, é uma distorção que deve ser estudada e normalizada.
Como todos têm de comer para viver, a alta de preços da cesta básica tem importância significativa. Para as camadas mais pobres da população, o item alimentação é o que mais pesa e sua elevação torna a vida mais cara do que a inflação geral sugere.
Os preços dos alimentos dependem de muitos fatores, caem ou sobem em função do clima, do mercado, da época do ano. Controlar sua variação é importante porque se sobem demais, o consumo cai e os preços tendem a cair no futuro, desorganizando a agricultura. Se caem demais, o consumo aumenta e os preços tendem a subir depois, levando a agricultura a se concentrar nos produtos em alta, em detrimento dos outros. Por isso, nenhum governo aberto pode ser um neoliberal radical. É preciso intervir para manter a estabilidade dos preços e a organização da agricultura.
Para isso o Governo tem estoques reguladores, e o que acaba de acontecer com os preços da cesta básica pode ser porque o Governo não os usou, ou usou mal. Entre os produtos analisados, a carne, com maior peso na composição da cesta básica, teve alta em oito das 16 capitais pesquisadas. A autoridade econômica deve apurar o que está acontecendo e, se for constatada escassez do produto, em função do menor abate por causa das chuvas, deve importá-lo para estabilizar o mercado.
Reduzir o valor da cesta básica e mantê-lo estável deve ser prioritário para o governo de um partido com preocupações sociais como o PSDB. Inflação em baixa e cesta básica em alta não combinam. É preciso que esta situação seja enfrentada de imediato.

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