EDITORIAL - Caso Henry chama novamente atenção para a violência infantil


Folha de Londrina
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O caso Henry Borel chama mais uma vez a atenção da sociedade para a violência contra a criança no Brasil. Assim como em 2008, o assassinato da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, chocou todo o país, a morte do menino de quatro anos, no mês passado, precisa ser motivo de uma reflexão profunda por parte de pais, professores, médicos e outros profissionais que lidam com crianças e adolescentes. 

Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março, no Rio de Janeiro, com sinais de violência. Ele foi levado pela mãe, a professora Monique Medeiros, e pelo padrasto, o vereador Dr. Jairinho, para o hospital, mas morreu antes de dar entrada no setor de emergência. O casal disse que não sabia o que aconteceu com o garoto, que a mãe o encontrou desacordado, no quarto, sem respirar e com os olhos revirados. 

O laudo do IML (Instituto Médico Legal) apontou que a criança tinha uma série de marcas de violência pelo corpo e foi a óbito devido a uma laceração no fígado.  

Monique Medeiros e Dr. Jairinho foram presos nesta quinta-feira (8) e o delegado Henrique Damasceno, que cuida do caso, afirmou que, para ele, não resta dúvida sobre a autoria do crime e o casal deve ser indiciado por homicídio duplamente qualificado. 

É chocante quando percebemos que as pessoas que deveriam defender uma criança são justamente aqueles que fazem mal a elas. Segundo a polícia do Rio de Janeiro,  Henry foi assassinado com emprego de tortura e sem oportunidade de defesa. 

Ainda conforme os investigadores, ele era agredido pelo político com chutes e pancadas na cabeça e Monique tinha conhecimento da violência do companheiro contra o filho pelo menos desde o dia 12 de fevereiro. Foi nessa data que a mãe recebeu mensagens no celular da babá de Henry dizendo que o menino havia relatado que o padrasto lhe deu uma rasteira e chutes. "É sempre no seu quarto", a babá escreveu em uma das mensagens.  

No caso da Isabella Nardoni, a menina também não teve chance de defesa. O pai, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, foram condenados. A menina foi jogada da janela do apartamento onde morava, em São Paulo. 

O inquérito sobre a morte de Henry ainda não foi encerrado e o delegado justificou a prisão temporária do casal pela tentativa de atrapalhar as investigações. Chamou a atenção dos investigadores o fato de que  Monique foi ao cabeleireiro no dia seguinte à morte do filho. Também estranharam que Jairinho tentou acelerar a liberação do corpo de Henry na madrugada após a morte.  

Infelizmente, a violência contra a criança no Brasil é mais comum do que as estatísticas apresentam e muitas vezes ficamos sabendo que ela ocorre em uma casa quando o corpo de um menino ou menina chega sem vida a um hospital com marcas de agressão. 

Os adultos devem ser convocados a agir contra qualquer tipo de violência doméstica, seja contra criança, mulheres, idosos. Precisamos saber reconhecer os sinais de que é uma criança está sendo agredida e aprendermos a ouvi-las.  

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