A maior ameaça que o Brasil está sofrendo, neste momento, não é a da cotação do real, que continua a cair diante do dólar, nem a da fuga de capitais especulativos. O mais sério problema que o País enfrenta é o da chuva de boatos e manipulações que se origina dos meios especulativos, visando fomentar uma situação difícil para auferir vantagens cada vez maiores. Não haja ilusões, alguns grupos conseguiram lucros exorbitantes nos últimos dias, emfunção da crise brasileira. Para o comum dos mortais, é quase impossível avaliar com precisão o que se passa nos meandros da alta especulação mundial, hoje ainda mais sofisticada e que gera dividendos fabulosos sem esforços, trabalho ou dificuldades. A queda acentuada do real diante do dólar, nos últimos dias, provocou por si lucros elevados para aqueles que estavam ‘bem informados’, muitos dos quais responsáveis pela onda que acabou provocando esta situação.
Naturalmente, a sequência de um ambiente traumático, a sucessão de quedas no valor da moeda, até há pouco estável e firme, os boatos constantes, tudo isto produz um clima perigoso que pode levar a consequências trágicas para a população. Evitar isto há de ser a tarefa prioritária do governo, que afinal precisa agir como medida até de defesa própria, mas também de todos quantos ainda mantêm a lucidez e percebem, como certos e destacados economistas em todo o mundo, que a situação não é tão negra quanto alguns a pintam. Não há dúvidas que existem problemas, mas os mais sérios são os mesmos que fazem parte das preocupações dos brasileiros nos últimos anos. E é certo que o clima que se criou com a onda especulativa não ajuda em nada. Todavia, também é preciso perceber que o Brasil tem meios eficazes para superar as atuais dificuldades.
A propósito, é importante destacar as afirmativas do presidente do comitê interino do FMI, Carlo Azeglio Ciampi, que foi taxativo ao dizer que ‘‘não se deve dar muita importância’’ às flutuações da moeda brasileira, porque o Brasil ‘‘tem uma economia sólida’’ que deve se recuperar com a ajuda internacional. Sobre o risco da crise se espalhar para outros países da América Latina, Ciampi, que também é ministro do orçamento e do Tesouro italiano, foi igualmente claro: ‘‘Sempre há riscos e perigos, mas não vejo riscos específicos.’’ Ciampi, ex-presidente do Banco Central italiano, deu estas declarações em Roma após um encontro semanal do gabinete italiano. O comitê interino do FMI dá assessoramento ao quadro de diretores do fundo em assuntos de câmbio mundial e crises globais.
Por outro lado, vale a pena também observar o que disse, ontem, o financista internacional George Soros, considerado um dos grandes especuladores internacionais. Soros acredita que a próxima grande crise econômica mundial ocorrerá nos Estados Unidos, onde a atual onda de especulação no mercado acabará explodindo. ‘‘A próxima grande crise acontecerá no coração do sistema (Estados Unidos) quando o atual boom chegar a seu fim’’, prognosticou ele em entrevista publicada ontem pelo ‘‘Nihon Keizai Shimbun’’. Vale lembrar que, logo depois da crise na Rússia, os especuladores já haviam ‘‘escalado’’ o Brasil como ‘‘a bola da vez’’.
Ocorre que o interesse dos que especulam não é o dos países e, principalmente, dos respectivos povos. Já se pode perceber algumas atitudes resultantes de toda a crise: estão surgindo, de novo, os exploradores, os aproveitadores, os que sempre querem levar vantagem. Mas incumbe ao consumidor brasileiro não se submeter e lutar para garantir e manter as vitórias conseguidas até agora.

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