A publicidade institucional para o lançamento da nova família de moedas do real não será tão intensa quanto o previsto. O Banco Central informou ao Tribunal Superior Eleitoral que a campanha informativa pela TV será feita apenas no período entre 15 de junho e 3 de julho. A segunda etapa, com início previsto para o dia 4 de julho, será limitada à fixação de cartazes em locais estratégicos. Esta decisão não foi tomada tendo em vista motivos de lógica publicitária, mas em função de um outro problema: ocorre que como o País está às vésperas de eleições e, principalmente, com a possibilidade de o presidente candidatar-se à própria sucessão, os partidos de oposição consideram que o lançamento de nova família de moedas, nesta época, pode acabar se convertendo em peça publicitária eleitoral. O Partido de Mobilização Nacional já está agindo junto às autoridades eleitorais no sentido de suspender o lançamento das moedas, argumentando precisamente esta possível fusão entre divulgação de um ato governamental com publicidade eleitoral. Não é o primeiro caso que surge nesta ainda não iniciada, oficialmente, campanha eleitoral. O Executivo Federal já foi praticamente obrigado a suspender a apresentação da logomarca ‘Brasil em Ação’, que vinha sendo usada em todas as suas propagandas institucionais. Também considerada um tipo de propaganda subliminar, a marca deixa de ser mostrada, sendo substituída pela palavra Brasil, juntamente com a Bandeira Brasileira.
Há certa distinção entre os dois casos, naturalmente. Não há como negar que o tipo de publicidade institucional do ‘Brasil em Ação’ traz quase que implícita a idéia de uma divulgação subliminar. Certo, considera-se importante que o governo divulgue o que faz, algo até necessário em termos democráticos para que o povo tenha conhecimento das realizações de quem usa o poder em seu nome. Todavia, como é muito tênue a linha que separa a divulgação justa da propaganda desavergonhada, o melhor mesmo, para evitar confusão, é suspender este tipo de publicidade. Mas no outro caso a questão é um pouco diferente: o lançamento de uma nova ‘família’ de moedas reclama intensa divulgação, apesar de ser correta a idéia da quase impossibilidade de dissociar este evento da ação governamental, o que, sob certo aspecto, poderia mesmo ser considerado publicidade indevida.
Tais fatos preocupam, na medida em que indicam que a campanha eleitoral pode se tornar uma sucessão de ações judiciais, capazes até de prejudicar a atividade governamental. E outras ocorrências dão a impressão de que, de fato, estamos já vivendo um período conturbado em que as idéias e propostas, que deveriam ser o foco de uma campanha eleitoral, vão ficar em segundo plano. Os entreveros entre os principais candidatos da oposição, Lula e Brizola, com o presidente, são bem indicativos. Luiz Inácio Lula da Silva, contestando a privatização do setor das telecomunicações, lançou a denúncia segundo a qual se tratava de medida para formar um ‘caixa 2’ com vistas à campanha. Fernando Henrique Cardoso já iniciou dois processos contra Lula; Brizola, vendo que está perdendo ainda mais espaço, também quer ser processado, afirmando que concorda com seu parceiro de chapa, o que seria até desnecessário dizer.
Os sinais são inequívocos e lamentáveis. Consequência ou não da possibilidade de reeleição, que não foi suficientemente implementada para tentar conter o uso da máquina administrativa na campanha, a verdade é que aumenta o risco de se ter uma campanha de baixo nível, o que é negativo para a própria democracia.

mockup