Balanço do real
O balanço do 5º aniversário do Plano Real, que transcorre a 1º de julho, oferece, à primeira vista, um quadro pouco favorável à população. O pior resultado é o que se refere à questão do emprego, hoje pela casa dos 19% na maior parte do País, valendo recordar que no primeiro ano do plano econômico o índice estava em torno de 14,5%. É, inegavelmente, um dado preocupante. Mas qualquer análise sobre todo o desenvolvimento do plano de estabilização da economia precisa aprofundar mais para perceber, desde logo, todas as implicações efetivas da situação brasileira hoje e do que se podia antecipar antes da implementação daquele projeto. Quando se afirma, como enfatizou o Dieese que ‘‘a queda da inflação é o único verdadeiro ganho’’ do período, a impressão pode ser a de que se trata de um avanço insignificante. Ocorre, porém, que o controle da inflação é o fato mais relevante, o passo sem o qual o Brasil não teria como evitar o caos que se desenhava nos últimos tempos antes do real.
A inflação exacerbada que atingiu o Brasil nos anos anteriores ao real representou um flagelo absurdo. É verdade que havia um forte componente auxiliar da inflação, a indexação, que surgiu precisamente como uma idéia considerada inteligente de se realizar o convívio da economia com uma inflação galopante. Com a indexação quase plena, sabia-se que os elevados números que a cada mês eram revelados sobre a inflação não eram reais. Todavia, havia um rescaldo inflacionário, alguns setores - os mais carentes -, que não podiam se defender ou usar a inflação (como os mais ricos faziam), sofriam tremendamente e a moeda se deteriorava de modo insuportável. Paralelamente, os vícios que acompanhavam este descalabro econômico se exacerbavam, a economia se tornava uma verdadeira selva, sendo que a famosa tese sobre ‘‘levar vantagem em tudo’’ se tornou quase que um imperativo dentro do ‘País dos espertos’ em que o Brasil se converteu.
A inflação constitui um mal tão grande que vencê-la é uma vitória imensa. E não se pode esquecer que este é um tipo de luta que, de fato, provoca e exige sacrifícios. Após a redemocratização, com o agravamento da inflação (no tempo do presidente Sarney ela chegou aos incríveis, na época, 1% ao dia) se começaram a buscar programas para vencer o flagelo. O erro fundamental de todas as propostas era precisamente que se priorizavam soluções indolores, fórmulas mágicas que permitissem acabar com o mal sem qualquer dificuldade. Isto não existe, como os brasileiros perceberam a cada plano aparentemente bom que se esboroava em pouco, deixando maiores problemas.
O plano de estabilização da economia, lançado no Governo Itamar Franco, construído de modo competente, mostrou-se eficaz até agora. A inflação, mesmo com todos os problemas, está em níveis baixos (e suportáveis). E não se pode esquecer que como resultado disto, uma importante faixa da população, que vivia na miséria absoluta, melhorou as condições de vida. Ainda há miseráveis, ainda há tremendas dificuldades, das quais o desemprego é demonstrativo. Mas hoje, há a convicção de que os sacrifícios valeram a pena e que o País está no caminho adequado.
Ainda há um caminho longo e difícil a percorrer, sem dúvida. Medidas mais concretas para o apoio à geração de empregos, são necessárias. É vital que não se perca de vista todo o problema social, até porque é fundamental o resgate dos milhões de marginalizados. Com isto em vista, seguramente chegará o dia em que se celebrará o real e a estabilidade sem nenhuma restrição.

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