Balança comercial
Os números da balança comercial do Brasil em novembro foram bem piores do que os dos meses precedentes. O déficit registrado atingiu US$ 529 milhões, elevando o saldo negativo para US$ 1,45 bilhão. Um resultado que colide com os objetivos de uma política de desenvolvimento. O Brasil queria – e também necessitava – de números positivos no balanço comercial. Mais ainda precisa aumentar sua participação no chamado bolo do comércio mundial. Com efeito, a participação brasileira no contexto global é quase insignificante, algo ainda mais grave diante do tamanho e do potencial do País. A vantagem aparente é que o Brasil tem um enorme caminho a conquistar no mercado mundial. O problema é que, apesar dos anúncios e de novas diretrizes objetivando mudar o panorama deficitário que se repete há anos, o quadro dá a impressão de se manter inalterado.
Mesmo assim, como destaca o secretário-adjunto de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Ivan Ramalho, é preciso perceber na análise dos números de novembro uma substancial diferença em relação ao mesmo período do ano passado. Uma avaliação correta do desempenho da balança implica em comparar períodos iguais, conforme bem assinala o sr. Ramalho. Sob esta ótica, a questão oferece algumas importantes nuances. Assim, embora o déficit de novembro tenha sido o mais elevado do ano, o total atingido foi 48,3% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Da mesma forma, o déficit acumulado nos 11 meses deste ano é 76% inferior ao total obtido em idêntico período de 1998. Isto significa, de modo geral, uma mudança real no quadro que, em anos precedentes, vinha se mantendo com um déficit constante e elevado.
O Brasil entrou com muita sede na abertura comercial, surgida já na época do Governo Collor de Mello. A queda na antiga política de restrição às importações, que inclusive usava como uma das teses a necessidade de ‘defesa’ do produtor nacional, propiciou uma rápida mudança também no perfil do comércio mundial. O País passou a computar déficits crescentes e contínuos, até porque não deu, como deveria, atenção à contrapartida. De fato, liberalizar as importações era adequado, mas o ideal seria estimular também as exportações para manter o equilíbrio. Com o Plano Real, que se apoiou numa política de importações para conter altas de preços, enfrentar a especulação e manter a inflação baixa, a situação se agravou. Apenas no começo deste ano, com a desvalorização do real – pedida há tempos pelos exportadores – é que surgiram condições para mudar este quadro.
Ocorre que conquistar mercados, ampliar as exportações não depende apenas da vontade. Nos primeiros anos do período totalitário, quando se investiu muito na exportação, cunhando-se até a frase ‘exportar é que importa’, havia um quadro mais propício, até porque o Brasil tinha pequena participação no mercado global. Naqueles anos, aumentou sensivelmente a pauta brasileira, os superávits surgiram e a situação só não atingiu um estágio efetivamente positivo por causa de fatores inesperados, como a alta dos preços do petróleo, que elevou em muito o valor das importações. Ainda assim, o superávit foi mantido por longo tempo.
A situação agora é diferente, mas a necessidade é a mesma. Desde o começo deste ano, os déficits na balança comercial foram caindo. Esta tendência parece continuar. Incumbe ao País persistir na luta para ampliar a conquista de mercados e conseguir os dois objetivos básicos nesta política: vender mais e, por causa disto, fomentar a produção interna, ponto de partida para um real desenvolvimento na economia do País.

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