Editorial - Avanços econômicos
Conforme diagnóstico da Unidade de Política Econômica (UPE), da Confederação Nacional da Indústria, publicado no Informe Conjuntural de julho, a recuperação da economia brasileira está mais lenta do que se esperava e há problemas de sustentação na retomada do crescimento. Segundo os técnicos da CNI, no final do primeiro semestre surgiram claros indícios de dificuldades, por conta do consumo ainda retraído, principalmente no segmento de bens de consumo duráveis, o que torna bastante modesta a perspectiva de crescimento da economia.
A expectativa parece pessimista, principalmente diante de alguns fatos importantes que surgiram neste final de mês, entre os quais a redução nos preços dos combustíveis derivados do petróleo e a diminuição no IPI sobre os veículos. Como o boletim analisa a redução no IPI, que veio depois do anúncio sobre os valores relativos à gasolina e ao diesel, isto significa que tais fatores foram levados em conta. O Informe leva em conta a queda nas alíquotas do IOF, o que, segundo aquele trabalho, deve provocar ligeira melhora nas vendas. Além disso, considera que a redução do IPI vai melhorar as vendas da indústria de automóveis, com efeito benéfico na produção dos fornecedores da indústria.
Para o Informe, os próximos três meses tendem a ser mais favoráveis, inclusive por conta do consumo maior propiciado pelo período eleitoral. Entretanto, considera que este avanço deverá ser modesto. Efetivamente, talvez não seja oportuno que, por conta de algumas poucas medidas capazes de aquecer a economia, se comece a estourar foguetes. A situação geral no País é séria e difícil. Todavia, é importante que se tenha em mente que há pelo menos um fator absolutamente inédito (ou que não acontece há tanto tempo que os brasileiros sequer lembram), que é a redução nos preços dos combustíveis. Impostos sobem e descem, conforme determinados humores ou tendências dos governos. Mas gasolina e diesel baixando, ainda que 2% ou 3%, isto seguramente a atual geração não viu.
E é preciso lembrar o peso terrível dos combustíveis na formação do custo de vida e seu efeito sobre a inflação. Para não ir muito longe, basta lembrar que em 1961, quando assumiu a presidência o sr. Jânio Quadros, em sua primeira medida, resolveu acabar com os subsídios sobre os preços dos derivados do petróleo. A alta foi imediata, os valores quase dobraram e toda a economia se ressentiu, inclusive com o famoso efeito cascata. Depois, houve o famoso oil shock, a inesperada alta do petróleo, provocada pelos produtores nos anos 70, levando quase todo o mundo a uma situação terrível, com reflexos pesados sobre o Brasil. Foi então que acabou o tão discutido milagre brasileiro e começou o pesadelo da inflação, num crescendo que só não levou o Brasil ao caos devido a alguns famosos jeitinhos, entre os quais a indexação, que permitiu a convivência com uma inflação exacerbada.
O curioso é que os preços dos combustíveis nunca retrocederam no Brasil, mesmo quando o panorama internacional mudou. O petróleo sempre subia, o custo de vida também. Com o atual plano de estabilização econômica, a inflação começou a ser contida e hoje atinge níveis mais que civilizados. Todavia, ainda não se tinha visto algo assim: não só a estabilidade nos preços dos derivados do petróleo, mas a redução naqueles valores. E não há dúvida que isto pode ter efeito muito maior do que se pensa, com redução no custo de vida e, como efeito adicional, propiciando aumento no poder aquisitivo da população, o que representará, inegavelmente, um efetivo aquecimento da economia em praticamente todos os segmentos.





