Editorial - Avanço
Ainda não se chegou ao fim do túnel, mas a aprovação da reforma administrativa em segunda votação na Câmara dos Deputados faz aumentar as esperanças de que agora a coisa vai. A demora de dois anos para a votação final da matéria na Câmara - e ainda haverá, na próxima semana, a votação dos destaques - não deve servir como base. A convicção é que no Senado a matéria será analisada e votada mais rapidamente. E quanto mais rápido, melhor, porque se houver emendas dos senadores o projeto terá de voltar à Câmara. A pressão do Governo e dos líderes governistas é grande, a ponto de já se acreditar que tanto esta reforma como a da Previdência sairão ainda este ano.
O primeiro resultado da decisão da Câmara já apareceu: os juros básicos da economia desceram 0,1 ponto percentual. Que não é pouco se considerarmos as proporções entre ambas. A taxa anterior era de 3,05% e a nova ficou em 2,9%, o que representa uma redução de 5,1% de uma só vez. Com a inflação estimada em 0,5% este mês, pode-se avaliar concretamente o tamanho da redução. Em outras palavras, o empréstimo que custava R$ 1.000,00 por mês, passou a custar R$ 949,00. Em dívidas longas a diferença é apreciável.
Não é a queda que se necessita para garantir ao setor privado condições para a retomada do crescimento, mas é um sinal positivo que mostra convergência entre os poderes, pouco frequente, aliás, mas imprescindível neste momento em que o interesse da Nação deve ser mais importante do que qualquer outro. O Governo demonstrou, com sua reação à crise externa e interna, que está disposto a lutar pela estabilidade e - agora sob pressão da sociedade - pelo zeramento do déficit público. Este é o desafio maior. E o quórum folgado na votação da reforma administrativa, bem como a diferença obtida são coisas que renovam inclusive a confiança no Poder Legislativo e, por consequência, nos políticos.
É oportuno lembrar que o Executivo conta com uma boa maioria no Congresso, capaz de aprovar as matérias de seu interesse independentemente da Oposição. Se não conseguia fazê-lo, é porque os partidos aliados não se empenharam em arregimentar suas forças e impedir que muitos de seus membros fizessem corpo mole para tirar alguma vantagem. Com a mobilização e o chamamento à responsabilidade dos políticos para com seus partidos, foi possível produzir uma ação legislativa rápida. É de esperar que isto continue, para que de fato seja possível, antes do fim do ano, concretizar algumas das mais importantes reformas que precisamos fazer em nossas estruturas.
O presidente Fernando Henrique Cardoso tem razão quando, comentando a decisão da Câmara, afirma que os que votaram a favor vão se beneficiar a longo prazo, pois o eleitor está alerta e sabe quem está do seu lado e quem quer fazer politiquice e demagogia. É fato. As reformas e as privatizações enfrentam uma oposição demagógica e paternalista, por isso arcaica. Essas medidas vão propiciar o tão desejado e necessário salto evolutivo da sociedade brasileira. A oposição a elas é tão legítima quanto trágica. É cada vez mais clara a percepção disto pela população, que já não responde aos apelos demagógicos que fizeram história no Brasil.





