Editorial - Avaliações positivas
Avaliações positivas
O presidente do Dresdner Bank no Brasil, Winston Fritsch, em entrevista concedida a uma rede de TV, esta semana, fez uma avaliação positiva da economia brasileira, considerando existir um consenso de que o Brasil passou muito bem pela crise da Rússia e só algo muito ruim na economia internacional pode provocar problemas ao País, nos próximos doze meses. Winston Fritsch ressaltou também que os dados anuais escondem as flutuações durante o ano, advertindo que não se deve comemorar demais os números mais recentes que já refletem uma mudança completa de perspectiva sobre o futuro da economia brasileira. Apesar do otimismo, Winston Fritsch lembrou que os analistas continuam preocupados com o que vai acontecer ao final da vigência das medidas temporárias de ajuste fiscal, definidas dentro do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional. Fritsch defendeu a necessidade de reformas mais duradouras na área de ajuste fiscal como forma de manter a economia nos trilhos.
Esta avaliação é similar à feita pelo relatório World Outlook, da Economist Intelligence Unit (EIU), empresa de análises econômicas ligada à revista Economist, com sede em Londres, em que são feitas previsões da economia mundial para os próximos doze meses. A publicação assinala que a economia brasileira vai crescer 3,1% neste ano, antecipando ainda que a cotação do real em relação ao dólar no final deste ano será de R$ 1,97. Além disso, a inflação no ano 2000 atingirá a marca de 7,9% e o déficit na balança de conta corrente será de US$ 22 bilhões. Segundo a EIU, a economia mundial registrará um crescimento de 2,8%, superior aos 2,5% registrados em 1999, aumento que será possível porque a maioria dos países desenvolvidos deverá ter uma boa performance enquanto os mercados emergentes terão um ano mais positivo do que 99. A EIU prevê que a economia brasileira apresentará forte recuperação já no início deste ano e adianta que essa estimativa de crescimento é moderada, podendo até ser superada. Para os primeiros meses do ano é previsto um forte fluxo de investimentos nos países emergentes, entre eles o Brasil.
Entretanto, o estudo assinala que é preciso manter a cautela com a volatilidade do mercado e a possibilidade de problemas na economia norte-americana, que teria efeitos prejudiciais sobre os países emergentes. Além disso, a demora na aprovação das reformas estruturais é outro fator que gera preocupação permanente em relação ao Brasil. A Economist Intelligence Unit (EIU) prevê também que a agenda das reformas no Brasil poderá ser muito prejudicada pelas eleições municipais deste ano, uma percepção bem real da influência que a política costuma ter sobre a economia.
Embora as previsões possam vir a ser frustradas, é certo que a convergência de opiniões, de fontes diversas, sobre as perspectivas positivas para o Brasil é por si bastante satisfatória, ainda mais quando a observação pura e simples da situação atual evidencie que as projeções estão fundamentadas. É importante também observar que ambas as fontes insistem na importância da continuidade das reformas estruturais. É um consenso igualmente valioso. Existe uma tendência nacional de ocorrer certo amolecimento sempre que alguns indicadores começam a mostrar melhoria. Este é um perigo sério, que o Brasil deve enfrentar, levando em conta que todas as previsões positivas são também concordes num ponto: é fundamental que se completem as reformas estruturais, sem o que todo o sacrifício feito até agora pode ser perdido.





