EDITORIAL - As vítimas dos acidentes
Os números publicados ontem neste jornal mostram que é alarmante a estatística dos acidentes de trânsito que ocorrem no Brasil e o que eles representam em traumas humanos e em custos sociais e hospitalares. Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostra que acontecem por ano, no País, cerca de 300 mil acidentes de tráfego, resultando na média de 24 mil mortes e 400 mil pessoas incapacitadas, permanente ou temporariamente.
Afora as consequências traumáticas que semeiam, os acidentes são os responsáveis por 50% da ocupação dos leitos hospitalares públicos, a um custo de R$ 9 bilhões anuais. O prejuízo maior é sempre para as vítimas diretas, mas é preocupante, também, a elevada despesa com a assistência médico-hospitalar e com as aposentadorias precoces resultantes dessas tragédias.
E quem são os culpados? Sem dúvida a imprudência de motoristas, motociclistas e pedestres, e o Poder Público. Aqueles por negligência e irresponsabilidade, no mais dos casos, e este por não sinalizar convenientemente ruas e estradas e não as conservar como devia. Se nem todos os acidentes são evitáveis, grande parte deles não ocorreria se houvesse mais prudência dos condutores, mais atenção dos pedestres ao atravessar ruas e outros pontos perigosos, e se os órgãos competentes melhorassem os equipamentos de controle e ordenamento do tráfego.
A preocupação do Poder Público tem sido menos a de dar garantias aos motoristas e mais a de punir, até porque arrecada com isso. Negligencia, assim, com a parte que lhe compete. E quem o pune? Não há sanções, porque a sociedade não pode lhe impor multas nem colocar pontos negativos na carteira funcional dos governantes e seus agentes.
Grande parte desses R$ 9 bilhões poderia ser destinada a políticas preventivas, como a restauração permanente das estradas, a modernização dos sistemas urbanos de disciplinamento do trânsito e a eliminação dos pontos de conflito, onde mais acontecem acidentes.
Falta aos órgãos públicos encarregados do setor a conscientização de que os acidentes de trânsito figuram entre os grandes problemas brasileiros. Dinheiro existe de sobra, pois o Poder Público é grande arrecadador nessa área e dispõe, portanto, de grande soma de recursos. Que entram pela via de IPVA, licenciamentos, multas, pedágio e afins, para não falar dos impostos sobre combustíveis e da volumosa receita que o governo aufere na comercialização de cada veículo automotor.
Incumbe que essas verbas sejam canalizadas para os fins a que se destinam e que, especialmente no caso das cidades, os organismos que cuidam do sistema viário contratem as pessoas qualificadas para as tarefas que devem ser feitas, na implantação dos sistemas, e assim não prevaleçam as improvisações oriundas dos gabinetes, sempre muito gastadores mas pouco eficientes.





