Campanhas de liquidação, no comércio, são sempre um demonstrativo de que as mercadorias estavam sendo vendidas a preços altos demais, e, pelo desinteresse da clientela, os lojistas passaram a liquidar tudo, pelos valores reais. Um movimento do gênero ocorre agora em Londrina, e deverá ter sucesso, porque envolve 600 estabelecimentos do ramo e também alguns serviços.
Isto é bom para os clientes e também para os comerciantes, que, certamente, não estão tendo prejuízo nessas vendas a preço baixo, porque sabe-se que eles não jogam para perder. Então, o que ocorre é a comprovação de que é possível vender barato, com lucro. Ou os lojistas não adeririam a esta campanha de ‘‘queima’’ de estoques e nem promoveriam isoladamente - como vez ou outra fazem - suas próprias liquidações.
Mas esse tipo de campanha, se traz vantagem para a freguesia, é também um alerta de que não é conveniente comprar nos dias normais e sim aguardar as liquidações. A pergunta que muitos fazem é por que o comércio não opera em regime de liquidação o ano inteiro, que assim teria movimento todos os dias, ativaria seu capital de giro e promoveria uma revolução de vendas. Certas lojas que assim procedem, atestam o acerto da medida, porque estão sempre cheias de gente comprando, em qualquer época.
Liquidações são sempre sinais de que ainda impera uma certa cultura de especulação, que já se provou equivocada. Porque, superfaturando mercadorias, o comércio vende menos, ao contrário da postura inteligente que é vender barato, e vender mais e continuamente.
Essas campanhas, então, acabam se convertendo em solução final para desovar estoques, quando deveriam ser uma solução constante. Se, nessas ocasiões, os preços caem de 30% a até 50%, isto só vem provar que havia exagerado excedente. Eis que, se o comerciante pode agora vender com grande baixa, poderia ter feito isso antes. Porque ninguém acredita que, nas liquidações, ele esteja jogando mercadoria fora e tendo prejuízo.
Mas não é apenas o superpreço que afasta a freguesia e sim, também, a elevada taxa de juros nas vendas a prazo. Há quase uma insistência da loja para o freguês opte pela compra no crediário, porque assim o lojista ganha não só com o lucro normal da comercialização mas também com a especulação financeira, hoje um forte atrativo sobretudo dos grandes magazines. Porém o resultado é que, no final do exercício, a venda resulta pequena, daí o apelo para essas campanhas promocionais.
Muitos setores evoluíram, no Brasil, mas o comércio ainda guarda o atraso de pretender obter grande margem de lucro sobre cada mercadoria, custando a perceber que este não é o melhor caminho. Enquanto isto, os que têm mais visão vendem com lucratividade menor, porém vendem mais e por isso ganham mais, e todos os dias. O freguês ficou mais esperto, mas a maioria dos comerciantes ainda não.

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