Editorial - Aposentadorias preocupam
Aposentadorias preocupam
Estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que agrupa 29 dos países mais industrializados do mundo, revela que dentro de 25 anos as pessoas em idade de se aposentar serão 70 milhões a mais que agora, enquanto que o número daqueles em idade de trabalho crescerá apenas em 5 milhões. Esta grave lacuna entre pessoas prontas para a aposentaria e para o trabalho nos países industrializados refletirá a aposentadoria da geração chamada de baby-boom e se fará sentir entre 2010 e 2030, afirmam especialistas da OCDE. Conforme o estudo, este fenômeno repercutirá nas economias das nações industrializadas e muito possivelmente representará uma ameaça ao nível de vida da população dessas nações. A magnitude do envelhecimento da população se reflete, por outro lado, no fato de que nos últimos 25 anos o número de pessoas com mais de 65 anos cresceu 45 milhões. A sugestão da OCDE para evitar um conflito entre gerações e impedir um aumento da dívida pública interna se baseia em alguns princípios-chave, ou seja, mudanças estruturais em campos como o regime de aposentadoria, no mercado de trabalho, na saúde pública e no sistema financeiro. Segundo a organização, antes de tudo é necessário eliminar os incentivos que atualmente favorecem as aposentadorias em idades consideradas jovens, em particular no setor público.
É interessante observar que esta situação deve atingir os países industrializados em alguns anos, enquanto que países não desenvolvidos, como o Brasil, já enfrentam agora o problema, com a queda no total dos que trabalham, ao tempo em que cresce o número dos que se aposentam. Por outro lado, como os europeus mostram uma preocupação antecipada, é até possível considerar que venham a encontrar soluções para os problemas que devem surgir dentro de um quarto de século. Infelizmente, porém, países como o Brasil, que já enfrentam dificuldades em seus programas de aposentadoria, não vão poder esperar todo este tempo para resolver esta complexa equação.
Vale perceber que as dificuldades brasileiras não decorrem, como pode parecer à primeira vista, de uma excessiva demagogia diante do problema. O que aconteceu é que, quando se despertou para a percepção da necessidade de medidas de proteção ao trabalhador, o que incluía, naturalmente, o direito à aposentadoria, eram diferentes as condições no mundo. Houve, sem dúvida, um certo paternalismo, talvez necessário diante da forte opressão que havia contra o trabalhador. Paralelamente, faltou a visão sobre as mudanças que o mundo viria a sofrer nos anos subsequentes. E ninguém poderia, nos anos 40, nem mesmo nos países mais ricos, antecipar a evolução que aconteceria nos diferentes campos, inclusive no da saúde humana. Naquele período, a perspectiva de vida da população era bem menor do que atualmente. Autorizar aposentadoria a quem chegasse aos 65 anos era quase que prometer o impossível já que a maioria não atingia esta idade.
Mas as coisas mudaram muito rapidamente. Por mais dificuldades que haja, até mesmo no Brasil a perspectiva de vida se ampliou. Isto, unido a muitos abusos que existiram, criou a situação atual de uma Previdência que não tem meios para suprir as aposentadorias que vão acontecendo. Para países desenvolvidos, as dificuldades estão previstas para dentro de alguns anos. No Brasil, elas já existem. E é importante que se encontrem soluções aqui, não para dar exemplos e respostas ao mundo, mas para garantir a situação dos que trabalham e se aposentam a cada ano.





