Editorial - Apelo à união
Editorial
Apelo à união
Em épocas de forte crise, quando a estabilidade econômica e social está em perigo, deve-se buscar, em nome do interesse coletivo, a união política e institucional, para lá das disputas partidárias e das diferenças ideológicas. Um país maduro e consciente de seu papel pode naufragar na tempestade dos oportunistas, dos irresponsáveis, dos pregadores da discórdia. O Brasil ainda é um país muito frágil no primeiro aspecto, mas infelizmente ainda muito propício à retórica dos que gostam de semear a confusão para dela tirar algum proveito pessoal.
O governo de um país sério, ou a caminho de ser, pode nesses momentos até chamar líderes de oposição para compor um Ministério suprapartidário, pois é o interesse da união que tem de prevalecer. Não é mostra de fraqueza, mas justo o contrário. É absolutamente natural, portanto, que peça a ajuda de todos, inclusive da oposição, para juntos superarem as dificuldades que se antepõem aos planos e caminhos traçados pela nação. Não é a hora de tentar se aproveitar das dificuldades para conquistar vitórias políticas. É a hora de se agir como bombeiros e não como incendiários.
Por isso causa perplexidade a reação de certos setores de oposição no Brasil à crise que ameaça a estabilidade econômica duramente implantada neste país depois de tantos e tão grandes fracassos que até mesmo o orgulho básico, bom e infantil, pela nação sucumbiu aos nossos vexames. A crise que enfrentamos, produzida por um abalo econômico que vem de fora e atravessa o mundo, é administrável e nem exige um governo de união nacional. Mas exige solidariedade, espírito de elevação e esforço pelo bem comum. Exige que todos sejamos estadistas, na pequena grande parte que cabe a cada um na construção do País.
Ao fazer um apelo às oposições para que se unam ao Governo em defesa da estabilidade, o presidente Fernando Henrique Cardoso mostra que sabe a gravidade do momento que vivemos e a grandeza de seu papel. O que ele pede não é uma adesão política ao Governo, muito menos uma coalizão de salvação nacional, mas simplesmente o que todos devem dar neste momento: apoio para apagarmos o incêndio juntos. Isto significa facilitar as reformas que vão dar consistência à estabilidade da moeda e permitir a retomada do crescimento econômico nos níveis adequados às necessidades da nação. Elas não podem mais continuar sendo postergadas indefinidamente.
É verdade que o Governo, e não só o Congresso, tem culpa pela demora das reformas. Mas agora não é hora, também, de declarar as culpas de cada um. Infelizmente, esta não parece ser a idéia do presidente do PDT, Leonel Brizola, que já se lança como verdadeira cassandra sobre a crise, antecipando que o Brasil se converterá num novo México se o presidente da República não renunciar a tempo. Diz ele que ninguém tem o direito de ficar no lugar com esta situação.
Seguramente, o sr. Brizola deveria pensar que ninguém tem o direito de tentar se aproveitar de um momento difícil como este que o Brasil vive para provocar ainda mais dificuldades, lançando ameaças e fazendo propostas tresloucadas. O sr. Brizola, recorda-se, foi um incendiário dos mais conhecidos em seus tempos de juventude. Os brasileiros que viveram os duros anos do golpe militar de 1964 sabem o que sr. Brizola fez para tumultuar o País e o governo democrático de seu cunhado, o presidente João Goulart. Seguiram-se 21 anos de ditadura que foi um caro custo acabar.
Os tempos mudaram, mas o atual líder do PDT continua o mesmo. E, com isto, prejudica mais do que ajuda. O momento não é para isto, mas para juntar as forças e impedir que o País afunde outra vez no caos. Os brasileiros não são mais a massa ignara de 64 usada pela esquerda e pela direita para manobras de politiqueiros e golpistas interessados apenas em sentar no poder e lá ficar não 20 anos, mas, ibericamente, 50 ou mais. Ou, para lembrar o país a que se referiu o sr. Brizola, zapatistamente, a vida toda.





