Dois setores enfrentam situações semelhantes no Brasil: o hospitalar e o penitenciário. Em ambos há problemas de superlotação. A greve de servidores da saúde, notadamente em Londrina, está ligada precisamente a esta situação e representa uma tentativa de chamar a atenção das autoridades no sentido de ampliar os investimentos nesta área, o que significa não apenas criar mais espaço, com novos hospitais e maior número de leitos, mas também garantir recursos suficientes para todos os que trabalham em atividade tão essencial ao cotidiano da população. No que tange à questão carcerária, a superlotação das penitenciárias e das cadeias por todo o País fala por si. E as rebeliões, que explodem a cada dia por toda a parte, apenas são um reflexo do problema. No caso, a situação parece ainda mais séria porque seria necessário investir quantias imensas a fim de construir mais estabelecimentos penais só para atender à atual demanda. Ainda que houvesse recursos, o que não é o caso, a solução demoraria muito.
A redução nos investimentos leva a um quadro que, aparentemente, não apresenta muitas alternativas. Com efeito, vive-se nos dois setores situação similar porque todos sabem qual é o problema sem que haja, porém, medidas capazes de resolvê-los. O pior é que na falta de decisões ou atitudes, a situação se torna cada vez mais caótica. As greves no setor da saúde, assim como as rebeliões nos presídios e cadeias, ou mesmo nas unidades da Febem, não produzirão soluções imediatas. Na verdade, e diante mesmo da falta de iniciativas concretas do poder público para enfrentar estes (e tantos outros) problemas, não só é difícil esperar respostas ágeis ou demoradas. Acontece que não somente há poucos recursos, como também existe uma crônica falta de vontade de se encarar os desafios. Resolvem-se, quase sempre com violência, as rebeliões, consegue-se algum tipo de acordo para sustar os movimentos grevistas na saúde, mas não se faz nada de produtivo para ações concretas contra os problemas que se avolumam.
Além da similaridade nas questões que envolvem o setor penitenciário e a área de saúde, é possível também observar uma postura igualmente apática do poder público diante de outras questões sociais, incluindo aí a educação e a segurança de modo geral. Diz-se, em matemática, que a solução de qualquer problema começa pelo conhecimento dos fatores envolvidos. A partir daí, tem-se o caminho da resolução. No caso brasileiro, existe o conhecimento pleno de todos os fatores. Sabe-se que há falta de leitos nos hospitais, que os profissionais da área são pessimamente remunerados, que o repasse de verbas públicas para o setor é demorado, mas não se faz nada para mudar a situação. Do mesmo modo com os presídios e cadeias, que estão superlotados há tempos sem que haja medidas objetivas para resolver o assunto. Ocorre o mesmo com a educação – e a greve dos servidores do setor, em vários Estados do País, fala por si da situação –, e com a segurança, sem que se perceba por parte do poder público, federal e estadual, a adoção de diretrizes efetivas para garantir aquilo que é de direito para os cidadãos.
A apatia política, a falta de uma efetiva disposição de enfrentar os problemas e encontrar soluções representa um fator desalentador e perigoso para a sociedade em geral. Os problemas de saúde, segurança (aí incluída a questão penitenciária), educação, principalmente, reclamam há décadas soluções que devem começar pela priorização das necessidades e, principalmente, pela vontade dos governantes, que não estão cumprindo, pela omissão, suas responsabilidades em relação ao povo brasileiro.

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