Sob a alegação de que o intercâmbio comercial com a Rússia é muito fraco, um assessor do Planalto anunciou que a moratória decretada por Moscou terá poucos efeitos sobre o Brasil. Uma alegação que talvez tenha sido feita para tranquilizar a população, mas que é tão primária e inadequada que pode até provocar efeito contrário. De fato, se gente no governo encara de modo tão simplista uma situação de crise séria, dando mostras de falta até de percepção sobre as múltiplas consequências da situação russa sobre o mercado mundial, então é tempo para fortes preocupações em relação àqueles que devem administrar a economia e estabelecer diretrizes gerais para a política nacional.
Se é certo que a Rússia tem reduzidos negócios com o Brasil, isto não significa que os efeitos de uma crise preocupante como a que vive aquele país não atingirão o Brasil. Em verdade, como evidencia a própria reação nas bolsas das principais capitais mundiais, há outros fatores envolvidos além da moratória. Não se pode nunca deixar de perceber, principalmente, a especulação vinculada ao assunto. Nos dias atuais, não apenas a crise em um país pode produzir efeito dominó sobre os demais, como também o chamado capital especulativo constitui tremenda ameaça sobre todas as economias. As oscilações que têm ocorrido nos últimos tempos, as violentas reações produzidas quase que em cascata sempre que um país afunda em crise, só isto já deveria servir para se acompanhar com um pouco menos de leviandade as situações que vão ocorrendo a cada dia no planeta.
Para enfrentar as atribulações de um mundo que mostra sinais muito fortes de insegurança, o Brasil não precisa de palavras ocas baseadas em parte dos fatos, mas sim de uma política correta e séria capaz de reverter a atual situação. Crises que andam espocando em alguns países atingem outros, em especial, como dizem os especialistas em seu jargão moderno, as chamadas economias emergentes. O antídoto contra a crise, a opção para evitar que problemas em uma parte do planeta se convertam em tragédias locais está na seriedade de um trabalho interno capaz de consolidar a economia. O desafio maior será o de transformar esta chamada economia emergente em economia sólida.
Isto é possível e necessário. O Brasil deu passos imensos a caminho de uma situação de estabilidade em sua economia através do muito bem estruturado Plano Real. Os avanços obtidos nos últimos quatro anos são verdadeiramente impressionantes, principalmente se houver uma análise sobre a situação anterior. É certo que ainda não se chegou à meta desejada, é justo que ainda chamem o país de economia emergente. Entretanto, é vital superar esta fase, o que só poderá acontecer através do reforço interno. A economia nacional deixará de ficar dependente do que ocorra lá fora, trêmula ante qualquer abalo externo, quando se realizar aqui a complementação do trabalho que solidifique a estrutura interna.
O potencial brasileiro continua intacto. Persistem as características que colocaram o País como possível potência. Com os progressos obtidos no Plano Real, avanços efetivos foram realizados. Resta agora a complementação deste trabalho, que passa primeiro pela concretização das reformas e a seriedade na gestão oficial para que se atinja o equilíbrio nas finanças públicas. A partir daí, é preciso um trabalho destinado a produzir possibilidades internas capazes de garantir ao povo o trabalho digno e o salário justo. Uma economia internamente fortalecida não sofrerá efeitos cascata de crises em países emergentes.

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