EDITORIAL - Amigos, amigos... política externa à parte
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terça-feira, 10 de novembro de 2020
Folha de Londrina 
Chama a atenção no Brasil e no mundo o silêncio de Jair Bolsonaro sobre a vitória do democrata Joe Biden na corrida presidencial dos Estados Unidos. Ele não foi o único a se calar. Outros líderes também deixaram de felicitar o presidente americano eleito, entre eles Vladimir Putin (Rússia), Xi Jinping (China), Kim Jong Um (Coreia do Norte), Recep Erdogan (Turquia) e Andrés López Obrador (México). Mas como Bolsonaro encampou uma torcida declarada por Trump, o silêncio do brasileiro atrai mais atenção.
Putin, Obrador e Xi Jinping disseram que felicitarão Biden quando o impasse jurídico da recontagem dos votos for concluído. No Brasil, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que Bolsonaro irá cumprimentar Biden, “na hora certa”, e que deve também esperar o final de processo de judicialização que Trump promete promover.
No final de semana, cerca de 100 chefes de estado já haviam telefonado para Biden, entre eles a maioria dos presidentes da América do Sul, incluindo Nicolás Maduro, além do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um dos principais aliados de Trump.
Até mesmo o ex-presidente republicano George W. Bush parabenizou Biden e à imprensa afirmou que ofereceu a ele o mesmo que ofereceu aos presidentes Trump e Barack Obama: “minhas orações por seu sucesso e minha promessa de ajudar no que puder".
Em um artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, nesta segunda-feira (9), o professor de filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Denis Lerrer Rosenfield, fez uma análise muito interessante sobre o que o silêncio de Bolsonaro indica da sua política externa.
Rosenfield lembrou que nações não têm amigos, mas têm interesses que se acomodam “segundo as relações econômicas, militares, políticas e diplomáticas”.
“Amizade é uma categoria aplicável às relações pessoais, não pode ser generalizada para o domínio da política internacional, em que impera o conflito de interesses”, afirmou.
A partir da eminente confirmação de Biden à frente da nação mais poderosa do mundo, cabe ao governo brasileiro analisar a mudança de direção da política americana e corrigir a rota da política externa brasileira pensando nas parcerias comerciais, na projeção do Brasil no mundo e evitando o autoisolamento do país.
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