Há muito a cadeia produtiva brasileira tem sentido os impactos da concorrência chinesa. Com custo muito mais baixo – reduzido em grande parte pelos subsídios estatais – o gigante asiático se consolidou mundialmente como a ‘‘fábrica do mundo’’, dominando a produção e exportação de produtos manufaturados. Também não se pode deixar de lembrar que a produção, muitas vezes, está baseada em trabalhadores explorados à exaustão, sem direitos trabalhistas e encargos sociais.
  A concorrência chinesa com a indústria nacional é desleal porque ocorre em condições desiguais. No Brasil, todos os setores da cadeia produtiva têm que arcar com encargos e tributos em demasia, desde o produtor rural ao industrial. São legislações excessivamente arcaicas e em quantidade que extrapola o limite do razoável, inúmeros encargos sociais, alto custo dos insumos básicos (como tarifas de energia elétrica e água, por exemplo), além da infraestrutura precária e ineficiente, que encarece o custo do transporte e, por consequência, o preço final dos produtos.
  Dados da Federação das Indústrias Paranaenses mostram que, em 2006 a venda de produtos manufaturados representou 57,41% das exportações. No ano passado caiu para 43,18%. Os produtos básicos (matérias-primas), ao contrário, saltaram de 29,30% para 42,21% no mesmo período. Os números mostram que os efeitos da globalização são implacáveis. Ao invés de estimular a industrialização – que gera mais emprego, renda e aumenta a arrecadação – o Brasil exporta commodities sem nenhum valor agregado.
  Apesar de o governo federal ter lançado um pacote de medidas que desoneram setores como o de confecções, calçados, móveis e softwares, as medidas ainda não surtiram efeitos positivos. Para se manter no mercado, a saída adotada nem sempre é a que favorece a economia nacional: importar matérias-primas ou até mesmo produtos já manufaturados, que são apenas etiquetados com marcas brasileiras.
  Como a máquina pública é gigante e extremamente perdulária, o governo segue postergando as reformas – tributária, trabalhista e previdenciária – tão necessárias à classe produtiva. Um ‘‘choque de gestão’’, uma administração pública eficiente e a correta aplicação dos recursos justifica a modernização das legislações.

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