Editorial - Ajuda ao presidente
A morte do ministro Sérgio Motta e do deputado Luís Eduardo Magalhães representou, sem dúvida, duro golpe no projeto político do presidente Fernando Henrique Cardoso. Motta, mais que um articulador, um verdadeiro aríete a serviço do presidente, vai fazer muita falta na campanha pela reeleição; já Luís Eduardo, como elemento de fundamental importância na Câmara, não terá substituto à altura nas articulações para o encaminhamento das reformas, que constituem o próprio fundamento do programa de estabilização, base da campanha pela reeleição. Esta situação verdadeiramente inesperada levou o próprio presidente a mudar seu programa, voltando ao Brasil com celeridade e assumindo ele próprio as negociações com vistas às votações das reformas no Congresso, ao mesmo tempo em que tenta encontrar alguém capaz de substituir Motta na área da campanha eleitoral.
O abalo produzido por estas duas verdadeiras fatalidades levou muitos analistas a uma posição de cautela em face do pleito de outubro. A grande vantagem que o presidente Fernando Henrique Cardoso leva em todas as pesquisas poderia vir a ser perdida, nos próximos meses, diante deste abalo, é o que alguns aventaram. O risco não seria apenas o de o presidente ter de enfrentar duas duras batalhas, incluindo a do segundo turno, mas a de sequer chegar a ele, podendo ver frustrado seu grande projeto de dar seguimento ao programa político e econômico que forjou, com todas as consequências disto decorrentes.
Entretanto, em poucos dias, toda esta expectativa se modificou. Tudo começou com a postura do PT do Rio, que decidiu lançar candidatura própria ao governo do Estado, praticamente implodindo a frente já quase definida de oposições para enfrentar Fernando Henrique Cardoso, com a chapa Lula-Brizola, que teria o apoio de outros partidos de esquerda. Embora o entendimento nacional PT-PDT não tenha sido ainda descartado, e apesar do anúncio de tentativas para mudar a decisão do PT fluminense, é certo que o abalo produzido pela deliberação já feita é bastante sério.
Paralelamente, os membros do PMDB que denunciam a interferência do Executivo na convenção do partido, na qual se decidiu pelo apoio à reeleição de FHC, descartando a idéia de candidato próprio à presidência, também não conseguem sucesso em sua empreitada junto à Justiça. A decisão do ex-presidente Itamar Franco de não depor no processo, não apenas dificulta o eventual propósito de algumas lideranças de insistir na candidatura própria, como revela um racha nas próprias hostes anti-FHC. A já natural dificuldade de se conseguir comprovar teses como as de interferência do Executivo na convenção do PMDB se torna ainda maior diante desta demonstração de falta de unidade.
Com isto, sem passar sequer ainda pelo grande teste da votação das reformas no Congresso e antes mesmo de escolher algum eventual substituto para a tarefa de articular a campanha, o presidente Fernando Henrique recupera pontos em sua marcha para a reeleição. Há, sem dúvida, muita coisa ainda para acontecer, há fatos que podem produzir alterações em todo o quadro, mas o que se observa é que a falta de unidade entre os que tentam formar uma oposição às pretensões do presidente de se reeleger funciona como fator de reforço para Fernando Henrique Cardoso. Persistindo este quadro, as perspectivas de reeleição do presidente crescem muito, tornando até possível a repetição do sucesso obtido há quatro anos, quando FHC nem precisou de dois turnos para chegar ao posto em que pretende permanecer, no mínimo, até 2002.





