O Aeroporto de Londrina tem sido palco nos últimos tempos de uma situação frustrante para grande número de pessoas, motivada por um misto de precariedade e falta de atenção adequada pelos responsáveis do setor. A cidade detém hoje um dos maiores índices nacionais, senão o maior, de crescimento do movimento aéreo, mas vem pagando um preço alto pelo fato de seu aeroporto não dispor de uma retaguarda tecnológica capaz de fazer frente a este avanço, motivado por inúmeros fatores, entre eles a redução no preço das passagens e os novos impulsos econômicos no Norte do Estado.
A questão é que alguns dias de chuva podem, pura e simplesmente, deixar ilhada uma metrópole como Londrina, a segunda cidade do Estado, uma das mais importantes do País, centro de produção, hoje inclusive um pólo vital para este novo e florescente caminho chamado Mercosul. Mas foi precisamente o que aconteceu: com as chuvas, o aeroporto ficou sem operações. Importantes visitantes não puderam chegar, caso do ministro do Trabalho, que tinha compromissos aqui; igualmente, ou até mais sério, foi que centenas de pessoas não puderam nem sair, o que frustrou compromissos, atrapalhou negócios e complicou a vida de muita gente. É um quadro que se repete com uma frequência preocupante, com evidentes prejuízos para inúmeros setores de atividade.
Pode-se argumentar que aeroportos com muito mais condições que o de Londrina fecham por causa do mau tempo. Mas esta é uma espécie de desculpa parcial e, por isto mesmo, falha. As tempestades que atingiram Londrina e praticamente todo o Sul do país no final da semana, prolongando-se pela segunda-feira, não chegaram à intensidade de um furacão, como o Georges, que provocou danos e mortes pelo Caribe, na mesma época. Nem podem ser consideradas ‘tempestades tropicais’ como as que estão ocorrendo atualmente em alguns Estados norte-americanos, ainda em função do mesmo furacão. Foram pesadas, mas não obstaram o funcionamento de muitos aeroportos em outros pontos igualmente atingidos.
A verdade é que o aeroporto de Londrina não tem merecido a devida atenção. A simples utilização da mesma aparelhagem de aeroportos de cidades igualmente importantes poderia evitar a situação criada. E se o aeroporto local não está adequadamente equipado, em condições para garantir operações mesmo debaixo de chuva como a registrada nos últimos dias, isto decorre do que se poderia chamar de falta de vontade dos responsáveis, a começar, naturalmente, pela Infraero, que é quem opera este como os demais aeroportos no País. Trata-se, sob certo aspecto, de uma escolha: e os responsáveis, pelo visto, simplesmente entenderam que Londrina não merece um atendimento de primeira categoria, que seu aeroporto pode ser descurado, não necessitando de instrumental suficiente para dar-lhe condições melhores de operacionalidade. E isso tudo, sem falar na extrema precariedade física do próprio terminal de passageiros.
Há não muito tempo, o Aeroporto de Londrina chegou a ser o terceiro maior do país em termos de pousos e decolagens. Era uma época diferente e isto não ocorreu em função da ação governamental, mas da coragem dos pioneiros que, compensando a falta de estradas, usaram o avião para colonizar a terra. Hoje, sob novas circunstâncias, Londrina pode - e deve - exigir que as autoridades aparelhem adequadamente o aeroporto local. Nessa linha, a Folha de Londrina/Folha do Paraná, Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e demais entidades comprometidas com o desenvolvimento regional passam, a partir de agora, a sistematizar a discussão sobre o problema de forma a contribuir decisivamente para uma solução rápida e duradoura.

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