Em 5 dias, dois operários morreram soterrados, em Londrina, em acidentes quase idênticos. Trabalhavam em fossos, o primeiro em obras de assentamento de tubos para esgoto, o outro na construção de fundação para uma ponte. Houve o desmoronamento e os dois morreram soterrados e sufocados. Nos dois casos, a mesma constatação pode ser feita: não foram obedecidas as mais simples normas relativas à segurança no trabalho. As vítimas, assim como milhares de trabalhadores por todo o Brasil, estavam submetidas a condições inadequadas e suas mortes, que são consideradas acidentes de trabalho, na verdade deveriam ser apontadas como resultantes da falta de responsabilidade dos que determinam a realização de atividades sem adotar as condições exigidas pelas leis que regulamentam a questão.
No que tange à questão da prevenção de acidentes de trabalho, como ocorre em quase tudo, o Brasil tem uma excelente legislação. Existem normas sérias, objetivas e completas que, se seguidas, permitiriam uma redução expressiva no total das vítimas. Acontece que não é o que se observa. Em muitas empresas sequer são eleitas as Comissões Internas de Prevenção de Acidentes de Trabalho, as CIPAs. Em outras, não se trata de orientar os trabalhadores de modo adequado. Também há casos em que são os próprios operários que não atendem às normas por uma série de razões, desde as alegações de que complicam o trabalho, até a falta mesmo de orientação. E não faltam os que, mesmo sabendo da importância das medidas previstas em lei, preferem não exigir que os empregadores façam o que é determinado com medo de perder o emprego. Em muitos casos, ao invés do emprego, perdem a vida.
O que é fácil perceber ante o índice elevado de acidentes de trabalho, em praticamente todo o País, é que continua a faltar uma preocução real no sentido de se adotar as mais simples exigências legais para proteção do trabalhador. Age-se neste ponto com uma irresponsabilidade verdadeiramente apavorante. As grandes vítimas disto acabam sendo os trabalhadores e suas famílias, em primeiro lugar, mas a sociedade em geral porque as perdas humanas representam um prejuízo irreparável. E há também os acidentes que resultam em ferimentos graves, muitos com sequelas irrecuperáveis. São milhares de trabalhadores que ficam incapacitados para buscar o próprio sustento, condenados a viver em condições as mais precárias, aposentados precocemente, recebendo um pagamento que, em muitos casos, nem cobre os custos dos remédios necessários para reduzir os efeitos de suas tragédias pessoais.
As mortes ocorridas em Londrina, em menos de uma semana, constituem apenas um pequeno sinal de uma situação muito mais séria e trágica que envolve hoje o trabalho. Evidenciam, assim como os múltiplos acidentes que são registrados a cada dia em toda parte, muito especialmente na construção civil, a falta de cuidado, atenção e disposição no sentido de garantir ao trabalhador o mínimo de segurança no exercício de sua função. O trabalho, por mais duro ou pior remunerado que seja, é (ou deveria ser) um meio de vida. Não poderia ser, jamais, um caminho para a morte.
Grande parte dos óbitos registrados no trabalho, assim como os ferimentos, sequer podem ser considerados como resultantes de ‘acidentes’. Decorrem da falta da adoção de normas legais que existem para garantir a integridade do trabalhador. A repetição de tais ocorrências deveria alertar a todos para a necessidade de novos esforços visando exigir a aplicação correta das leis de segurança para o trabalho em todo o País.

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