Editorial - Ação da CPI do Narcotráfico
Ação da CPI do Narcotráfico
O anúncio da possível vinda da CPI do Narcotráfico ao Paraná não deve causar qualquer tipo de estranheza. Houve tempo em que se acreditava que o Brasil era uma ilha de tranquilidade em meio a um mundo conturbado. E, na mesma linha de raciocínio, é ingenuidade supor que haja algum ponto do país que esteja livre da corrupção e do crime, incluindo aí com destaque o tráfico de drogas. Hoje, com maior ou menor intensidade, as drogas estão em praticamente todo o mundo. Já houve grandes apreensões de narcóticos no Estado, ocorreram prisões de alguns elementos de destaque do tráfico em vários pontos do Paraná (inclusive em Londrina) e duvidar que possa haver conexões entre os ramos que operam no crime também no Estado do Paraná é quase como fugir a uma realidade que existe em toda parte.
É oportuno lembrar que a CPI do Narcotráfico tem feito um trabalho muito sério a respeito da questão, já havendo levantado uma série de informações da maior relevância. Embora não sendo um órgão executivo, o trabalho ali realizado pode representar um fator importante na luta que deveria mobilizar a sociedade organizada, aqui como em todo o mundo. Pois o que não se pode esquecer é que a guerra entre o crime organizado e a sociedade civilizada vem sendo travada há tempos, sendo que a marginalidade está obtendo muitas vitórias. Os motivos são variados: há o dinheiro envolvido e a falta total de limites para a ação dos criminosos, que quando não conseguem obter vantagens pelo suborno e a corrupção usam a violência pura e simples, sem qualquer restrição ética. Além disto, o crime não tem fronteiras, age em toda parte sem limitações legais, enquanto a sociedade se vê limitada por suas leis e, no caso mundial, pelas dificuldades no entrosamento entre as polícias de países diferentes.
Este é um momento importante nesta luta, as revelações já apresentadas na referida CPI são de molde a entusiasmar os que querem ver a prevalência da lei nesta batalha. Todavia, há ainda muito a fazer e, certamente, se houver investigação no Paraná alguma coisa poderá ser encontrada. Não se pode esquecer a própria posição estratégica do Estado, que tem fronteiras com alguns países por onde a droga passa, sem contar a proximidade com Estados que também têm condições adequadas para o tráfico. Naturalmente, não se deve misturar política ou interesse partidário com a investigação da CPI. Talvez seja um pouco difícil, entretanto o que se tem visto até agora é positivo em relação aos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito.
Mas o que precisa ser enfatizado é que o combate ao tráfico não se limita nem se esgota no trabalho da CPI. Ao contrário, esta é uma luta muito maior, exigindo mobilização plena de todos os setores envolvidos. A Polícia Federal, a quem incumbe diretamente o trabalho maior de combate ao tráfico, faz o que pode, mas precisa de mais apoio. Os organismos policiais têm que se entrosar e obter mais recursos para que possam realizar um trabalho eficiente. E não se pode esquecer que se houver um efetivo e produtivo combate ao tráfico, atingindo os setores mais importantes envolvidos no crime quer dizer, os cabeças , poderá haver efeitos positivos no próprio combate à violência, como um todo, no país. Pois o tráfico também estimula ações violentas, desde o assalto dos que buscam dinheiro para comprar drogas aos crimes cometidos em resultado do uso delas.
O trabalho da CPI do Narcotráfico tem sido de tal modo positivo que o ideal seria que seus membros fossem a todos os Estados, onde com certeza encontrarão excelentes subsídios à luta nacional contra o crime organizado.





