Editorial - Abrindo caminhos
Na solenidade simples que marcou a continuidade no cargo, agora no segundo mandato presidencial, o ministro da Agricultura e do Abastecimento, Francisco Turra, defendeu a necessidade do envolvimento de todo o governo para que o agronegócio nacional possa crescer e ajudar o País a cumprir as metas desafiadoras de produção e aumento das exportações. Ele informou que já manteve contatos com o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Celso Lafer, dos Transportes, Eliseu Padilha, e o secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, para uma atuação conjunta que busque a redução do custo Brasil e melhore a competitividade dos produtos agropecuários nacionais. Ainda este mês Turra pretende reunir o Conselho Nacional do Agronegócio, que tem importante participação do setor privado, e quer contar com a presença dos diversos ministros para iniciar o trabalho conjunto do governo. O primeiro ato de Turra foi reconduzir todos os secretários e dirigentes das empresas vinculadas aos respectivos cargos, com o que garantiu a continuidade de trabalho da Pasta, uma das vantagens, como faria questão de destacar o presidente Fernando Henrique Cardoso, da reeleição.
O melhor, porém, seria que neste segundo mandato o presidente da República mudasse, efetivamente, o rumo de sua atuação, dando à pasta do sr. Francisco Turra a importância que merece. O discurso do ministro da Agricultura e do Abastecimento é correto, a necessidade de um envolvimento de todo o governo para garantir o sucesso da produção é até uma questão lógica. O que se precisa, porém, mais do que o discurso, é de uma ação real no sentido de se mudar as prioridades, dando ao que agora se chama agronegócio nacional o destaque que merece e reclama.
No começo de mais um ano e de um novo mandato presidencial é válido insistir nesta questão efetivamente simples mas que não parece merecer a atenção devida por parte dos governantes. O Brasil já conseguiu superar a inflação exacerbada e, entre outras coisas, logrou também superar aquela idéia do lucro sem trabalho, do dinheiro que se auto-alimentava, aquela famosa e tenebrosa ciranda financeira que não produzia nada, que ao contrário desestimulava o trabalho como meio para atingir resultados. O que falta, agora, é que haja uma efetiva guinada na ação oficial, com valorização prioritária para o trabalho e a produção, o que implica, como insistiu o ministro Francisco Turra, em uma união de esforços por parte do governo a fim de garantir condições para a retomada do desenvolvimento sustentado da economia.
No momento em que o Brasil assumir, sem medo, sua verdadeira vocação como potencial produtor de alimentos capaz de resolver a fome de seus filhos e de quase toda a humanidade, dará sem dúvida o salto definitivo no caminho da verdadeira redenção econômica. Às vésperas de completar cinco séculos, parece adequado considerar que é mais do que tempo de o Brasil aceitar este destino, deixando de lado os sonhos que fizeram, no começo, o delírio dos primeiros colonizadores, e que, aparentemente, se fixaram na mente histórica deste país.
A idéia da busca de riquezas fáceis, a intenção de enriquecimento rápido, sem muito trabalho, que embalou os primeiros colonizadores já deveria ter sido substituída pela percepção de que há possibilidades muito mais gratificantes neste país-continente ainda não explorado em seu potencial. E tudo se resume ao redirecionamento que, em certo sentido, precisa começar pelo governo, que é quem define prioridades. Estimulando a produção, abrirá caminho para o real salto brasileiro rumo ao seu papel como potência neste mundo faminto.





