EDITORIAL - A vocação agrícola
Em 5 anos, o mais tardar, o mundo estará reconhecendo a importância da agricultura brasileira. A frase é do cônsul-geral do Japão no Paraná, sr. Hajime Sasaki, e foi proferida na abertura, sábado, da 40ª Exposição Agrícola da Associação Cultural e Esportiva de Londrina. Sasaki usou para justificar a previsão o fato de o mundo estar hoje com 6 bilhões de habitantes, com a previsão de chegar, dentro de 25 anos, à marca dos 8 bilhões e 400 milhões. Para produzir alimentos para esta demanda mundial, só existem áreas com condições de expansão agrícola no Brasil e nos países do Mercosul, assinalou o visitante.
O que o cônsul-geral do Japão disse não é novidade. Há décadas se antecipa a imensa potencialidade do Brasil que é hoje, sem dúvida, o único país do mundo com condições efetivas para ampliar sua produção agrícola de modo pleno, tendo portanto as melhores possibilidades de atender ao desafio de alimentar uma população crescente no mundo. Infelizmente, até agora as autoridades brasileiras continuam cegas a esta realidade, insistindo em voltar as costas ao campo. Muita coisa mudou nos anos recentes. Com efeito, na década de 50, quando o Brasil viveu uma expansão industrial muito importante, adotou-se uma postura errônea diante da vocação brasileira. Sob a alegação de que a agricultura era atividade de país não desenvolvido, as autoridades se voltaram para a industrialização, esquecidas, porém, de que as nações mais desenvolvidas do mundo tinham não só uma base industrial, maa e principalmente uma excelente estrutura no campo. A agricultura era e é a base para o desenvolvimento pleno de uma nação. Mas o Brasil renegava esta realidade.
Posteriormente, e na esteira mesmo de uma desagregação econômica que provocou um ciclo inflacionário absurdo, o Brasil passou a pensar mais em papéis do que em produção. Houve uma época em que fazer dinheiro em cima de dinheiro era a maior realização, com o que se criaram falsas expectativas ao tempo em que se deixava de lado o fator produção, com todas as consequências danosas disto decorrentes. Com a recuperação econômica obtida via plano de estabilização da moeda, iniciou-se uma nova fase, mas ainda assim a agricultura continua a ser posta em segundo plano. Na verdade, as preocupações com a inflação levaram a alguns equívocos que têm maior efeito na produção em geral, com resultados muito graves no que se refere à própria situação do povo, com ênfase para o desemprego e a dificuldade de se retomar a marcha de crescimento produtivo, única alternativa para efetivamente resgatar a população da pobreza, da miséria e da fome.
No momento em que o Brasil se voltar de modo concreto para seu potencial, terá resolvidos todos os seus problemas. O mundo carece de alimentos que o Brasil pode produzir. Sem dúvida, sabe-se que conforme as leis da economia, um aumento repentino da produção pode prejudicar os preços, o que do ponto de vista econômico não é bom. Entretanto, o Brasil pode e deve aumentar aos poucos sua produção agrícola, sem que isto prejudique a parte econômica. Ademais, é vital perceber que a aplicação de mais recursos no campo reverte em benefícios diretos imediatos, com a oferta de empregos e a melhoria em toda a cadeia produtiva.
O que virá depois será consequência. Na medida em que produzir mais, o País poderá transformar sua vocação em ponto de partida para se converter numa potência mundial. Uma potência que vai basear sua força não nas armas, mas na comida, garantindo ao mundo condições para alimentar uma população crescente e faminta.





