Neste momento de verdadeira transição que o mundo enfrenta, com conflitos de vários níveis, a presença de algumas figuras que possam representar segurança, garantia e força moral é vital. Hoje, como em todas as épocas da História da Humanidade, sempre se pode definir eras e atravessar desafios graças à participação de personalidades que se colocam, naturalmente, acima das demais, verdadeiras condutoras de homens e povos. Dentre estas, sem dúvida, avulta este homem de 77 anos, que já foi alvo de um atentado, que enfrentou várias cirurgias, que viajou incansavelmente através de todos os quadrantes do planeta, e que acaba de realizar sua terceira visita ao Brasil - o Papa João Paulo 2º.
A postura moral de um homem que tem conseguido ao longo dos anos, com uma ação constante, superar obstáculos, unir os povos e ganhar as simpatias, independente até da denominação religiosa de cada um, constitui um grande tesouro humano. João Paulo 2º, ainda que não podendo disfarçar o cansaço e o peso dos anos e das doenças, consegue transmitir segurança e serenidade excepcionais. Nestes dias que ficou no Brasil, participando de encontros, discursando, trocando idéias com o presidente da República, ouvindo o povo, andando pela cidade, João Paulo 2º transmitiu uma alegria - e ele próprio dava a impressão de estar, também, muito feliz -, que superou todas as barreiras.
Alguns dos temas que abordou foram polêmicos. Não foi difícil, naturalmente, o discurso sobre as desigualdades sociais, preocupação permanente do Papa e que figura mesmo como base da Igreja de Jesus Cristo. Mas outros temas complexos, como os do divórcio e do aborto, acabaram provocando debates. Entretanto, faz parte da grandeza do ser humano a coragem de defender suas posições e de colocá-las, ainda que enfrentando oposição. E o Papa, quando defendeu o ideário de sua Igreja, revelou a postura digna de alguém que não transige naquilo que considera moralmente (e, mais importante ainda, religiosamente) correto.
Concordando-se ou não com as posturas do Papa, é inegável que se trata de uma pessoa com porte moral indiscutível. E não há dúvida também que esta é uma das mais sérias necessidades deste mundo, o código moral que define de modo pleno o ser humano - este mesmo que se considera ‘rei da criação’, mas que muitas vezes age como o mais terrível irracional não o faria. João Paulo 2º, ao manter suas posições, ao expressá-las, ao defendê-las com a coragem de quem tem estofo da mais elevada dignidade, faz perpassar por toda sua mensagem uma preocupação de amor em relação aos semelhantes. Não adota posições para agradar a este ou aquele, mas, ao contrário, firme na fé, não teme enfrentar polêmicas ou desafios. E por isto mesmo, aumenta sua estatura de homem que, sem dúvida, está muito próximo da verdadeira santidade cristã.
Nesta terceira visita ao Brasil, João Paulo II deixa imagem de alegria e carinho que encantou e motivou a todos. Superando o cansaço, buscando alcançar o povo do modo direto, com o uso do idioma português para se comunicar com os brasileiros, o Papa se tornou um de nós. Fala a nossa língua, sente a nossa alegria, partilha de nossos sofrimentos e preocupações. Sente na própria carne a angústia dos que nada possuem, dos marginalizados, dos que sofrem por falta de tudo. E deixa a mensagem de esperança e fé, a convicção de que existem caminhos possíveis para que os seres humanos possam realizar seus destinos, com dignidade e elevação e dentro da grande lei de amor deixada aos homens por Jesus.

mockup