Os novos indícios de irregularidades administrativas e de corrupção, envolvendo a reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL), são tristes fatos que a comunidade gostaria de ver fora dos anais dessa instituição. O episódio assume gravidade por situar-se na esfera do alto comando, de onde se esperaria o exemplo da honradez e da moralidade a toda a prova.
A área acadêmica não se macula, porque não foi atingida, mas essas brumas que envolvem a alta administração da UEL quebram o princípio da autoridade e têm reflexos negativos sobre os ânimos do corpo docente, do quadro funcional e de toda a comunidade universitária.
A verdade, agora, deve ser inteiramente apurada e tornada pública, mas todos aqueles que hoje frequentam os bancos escolares da universidade, e a legião de ex-alunos e hoje profissionais graduados – muitos deles ocupando cargos de docência na própria instituição – sentem-se tangidos por este golpe que fende a imagem já tradicional deste centro de conhecimento.
A Universidade de Londrina não foi implantada por benesse de algum governo, mas é fruto de persistente campanha de idealistas do passado, que viram, a seu tempo, chegada a hora de a cidade e a região terem o seu campus universitário, para agrupar as faculdades já então existentes e criar outras.
O advento da UEL haveria de redirecionar os rumos do Norte do Paraná, mudar conceitos e alterar o perfil de sua vocação primeira, que era apenas o cultivo da terra. O aventureirismo que marcou o período do desbravamento desta região permitiu oportunidades iguais a todos, mas nunca cedeu lugar a eventuais aproveitadores que se valessem dos bens patrimoniais que eram comuns a todos, e deles extraíssem benefícios escusos. A corrupção não havia chegado por aqui. Os homens eram honrados, porque as intenções eram boas.
A universidade se instalou alicerçada nesses valores. Naturalmente que passou por períodos de turbulência, notadamente nos anos de exceção que vigoraram no País e que eram tempos de confrontos ideológicos e de efervescência nos meios intelectuais e universitários, mas a estrutura acadêmica da UEL conseguiu sustentar-se.
As denúncias, as investigações, os indícios de irregularidades, no âmago da Universidade de Londrina encontram-se, tristemente, no nível do inquérito policial, que busca identificar salteadores comuns, destes que se apropriam de dinheiro público.
Estes não são os melhores momentos da UEL, mas é certo que a chama de seus ideais maiores não se apaga. A sabedoria que emana das cátedras prevalece sobre os atos de rapinagem das cúpulas administrativas e, apesar dos abalos, ainda coloca a universidade a salvo.

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