EDITORIAL - A revolução do e-commerce
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de dezembro de 2020
Folha de Londrina 
Os antigos barracões de madeira de secos e molhados que concentravam uma grande variedade de produtos eram destino certo do homem do campo, ainda maioria no Brasil até os anos 1950. Ir às compras na cidade era um acontecimento. Desde então, a referência de comércio tem sido se deslocar a um espaço físico, seja em lojas de rua, ou mais tarde, em shopping centers.
No entanto, uma tendência que começou incipiente, cheia de desconfianças, no começo da primeira década deste século, ganhou força nos últimos anos e, com a pandemia, parece ter se tornado um caminho sem volta: o e-commerce. Com apenas alguns toques na tela de um smartphone é possível comprar toda a sorte de produtos sem sair de casa, sem precisar se preocupar com trânsito, estacionamento e aglomerações.
Reportagem desta edição da FOLHA mostra que as vendas virtuais neste ano atingiram crescimento de 56,8% até agosto, segundo dados da empresa de inteligência de mercado Compre & Confie. O primeiro semestre do ano foi marcado pelas restrições mais rígidas no país em relação às medidas de contenção do novo coronavírus. Segundo a Enext, outra consultoria especializada em comércio eletrônico, alguns clientes chegaram a ter 500% de crescimento nos primeiros meses da pandemia, quando o lockdown baixou no comércio físico das cidades.
Ainda sem um balanço fechado, especialistas afirmam que este foi o Natal mais digital da história. A previsão era de R$ 3,38 bilhões em vendas de 10 a 24 dezembro, alta de 30% na comparação com o ano passado. Se os números se confirmarem, será um desempenho ainda mais alto que o da Black Friday, que, entre 26 e 30 de novembro, teve 26,4% mais vendas que o mesmo período de 2019.
De acordo com levantamento do Mastercard SpendingPulse, as vendas no varejo nas festas de fim de ano cresceram apenas 2,4% no Estados Unidos, avanço bem menor que a estimativa da NRF (em português, Federação Nacional do Varejo), que variava de 3,6% a 5,2%. A salvação veio mesmo com o e-commerce, que confirmou a tendência de crescimento. De 1º de novembro à véspera de Natal, as vendas on-line saltaram 47,2% em relação ao mesmo período de 2019. Como o que acontece nos EUA em termos de comportamento de mercado é sempre um termômetro para o Brasil, os números nacionais devem seguir na mesma direção.
De olho nas mudanças do mercado, até mesmo os pequenos lojistas apostam suas fichas nas vendas on-line. Mesmo quem não tem sua própria plataforma, acaba optando por marketplaces, espaços de sites especializados. Com a pandemia, aponta Gabriel Lima, CEO da Enext, “o que antes era estratégico passou a ser urgente”.
Se por um lado, a tecnologia traz inúmeras vantagens, por outro é preciso que o comércio de rua encontre alternativas para se manter competitivo. O esvaziamento das ruas, principalmente do centro das cidades, é um fenômeno que gera degradação e abre espaço para outro tipos de problema, inclusive de segurança pública. Em um balanço de sua gestão à frente da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), Fernando Moraes comentou sobre o desafio e as ações para fortalecer o comércio da área central da cidade.
As transformações causadas pela revolução digital devem ser acompanhadas de perto no planejamento da cidade. O progresso é sempre bem-vindo, desde que haja a preocupação de se construir bases sólidas nestas transições.
A FOLHA agradece a preferência!


