A resposta da agricultura
Ao divulgar a estimativa da próxima safra agrícola, o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, assinalou que, apesar da crise russa e da queda dos preços internacionais das commodities, o Brasil obterá uma nova supersafra de 83,439 milhões de toneladas de grãos, 1,2% superior à colhida em 1998/99, que foi de 82,440 milhões de toneladas. Pelos dados levantados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produtividade se manterá em 4%, a mesma dos últimos oito anos. A área plantada será de 36,879 milhões de hectares, o que representa um aumento de 0,5% sobre o total da safra passada, de 36,713 milhões de hectares. O melhor desempenho deverá ser o do algodão, com crescimento de 5,8%, enquanto a produção de arroz, com queda de 4% na área plantada, deverá ter produção 4,8% menor. A previsão para a soja e o milho indica também maior área plantada e produção igualmente em crescimento. Quanto ao feijão, embora deva ocorrer queda na área plantada, a produção deverá crescer na próxima safra.
São números importantes e que falam por si, indicando que apesar não só das crises externas mas, e talvez principalmente, da falta mesmo de uma política consistente de apoio, a agricultura continua a ser, a cada ano, o grande sustentáculo econômico do País, gerando alimentos e divisas. Mostram também que persiste a coragem dos que produzem no campo e que seguem dando ao Brasil o melhor de seus esforços, trabalhando com disposição e enfrentando todos os obstáculos e adversidades, tanto os colocados pela natureza como os postos pelos próprios governantes e burocratas, que insistem em voltar as costas para o grande caminho de progresso do País.
É uma história que se repete e que deixa evidente que os governantes teimam em não aprender com as lições que a natureza há séculos vem oferecendo ao Brasil. Nem é preciso ir longe, bastando fazer uma observação sobre o período de vigência do atual plano de estabilização para perceber que veio da agricultura a base fundamental do sucesso obtido pelo programa. Os preços dos produtos de alimentação, de modo geral, tiveram um comportamento fantástico no período, garantindo por si um projeto que poderia ter até naufragado diante da forma mais ou menos irresponsável com que as autoridades agiram, no que tange aos preços controlados. Com efeito, o maior peso da inflação observada ao longo do tempo em que vigora o Plano Real foi dado pelo ajuste nas tarifas públicas e nos itens com preços controlados pelo governo. Dizer que isto ocorreu porque havia uma ‘defasagem’ (termos tão ao gosto dos tecnocratas) no setor é fugir à realidade, pois no meio do período de indexo-inflação que o Brasil viveu todos os valores estavam defasados e subvertidos.
O que salta aos olhos é que foi o campo – a exemplo do que tem ocorrido ao longo da própria História do Brasil –, que garantiu não só a alimentação, mas o preço. E se o Brasil, desde o início, houvesse se voltado para o campo, com apoio, com investimentos, com discernimento, é certo que o país poderia já estar vivendo outra realidade. Como, porém, a natureza por aqui continua a ser dadivosa (o que Pero Vaz de Caminha já havia percebido logo ao ver a terra, há quase 500 anos), a terra continua a oferecer seus frutos ao país, esperando apenas o momento em que através de um trabalho corajoso haja uma priorização que faça do poder agrícola a fonte do crescimento nacional. O desafio não é tão difícil de aceitar. Basta um direcionamento concreto do governo, uma disposição efetiva de apoiar o campo, o homem que trabalha a terra, com recursos e assistência técnica para que tudo o mais venha naturalmente. E este tudo o mais é progresso e desenvolvimento, que é o que os brasileiros precisam.

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