A ser correta a nova estimativa do quanto vale a Copel - duas vezes superior à estabelecida pelo governo estadual em sua obstinada decisão de vender a empresa, estamos diante de um caso mais grave do que se supunha. Os novos valores apresentados - que são resultado de insuspeito estudo de engenheiros e funcionários da companhia - demonstram que ela vale R$ 25 bilhões e não os R$ 8,5 bilhões (segundo informação que circula na Bolsa de Valores de São Paulo) fixados pelo governo para ‘‘queimar’’ a empresa, em sua ânsia de fazer dinheiro.
O estudo ora revelado leva em conta os investimentos que foram feitos em usinas, sistemas de transmissão, subestações e agências, afora a participação da Copel em empresas de saneamento, telecomunicações, infovias, gás e tecnologia de informação. Esta nova avaliação, que é puramente técnica e ausente de coloração político-ideológica, surpreendeu os paranaenses, destacadamente os mais de 70% ouvidos através de pesquisa e que são contra a venda da estatal. E deve ter deixado de alerta também os deputados favoráveis à privatização e que perfazem (ou perfaziam até ontem) a maioria na Assembléia Legislativa.
Dos 54 parlamentares, 24 são declaradamente contrários à venda, e os restantes afrontam a vontade popular e de 400 entidades civis que lideram o movimento pela preservação da Copel como empresa pública. Se já existe quase metade de parlamentares contra a venda, bastariam apenas mais 4 votos para reverter a situação e anular a pretensão do governo.
Analistas avaliam que a empresa paranaense de eletricidade não tem apenas um valor contábil, mas também um preço político, pela situação do mercado de energia do momento, face ao racionamento, o que supervaloriza as usinas geradoras de força-e-luz. Tanto que os governos de oposição pensam em rever contratos de privatização, no setor. No Paraná, os senadores Alvaro Dias e Roberto Requião, potenciais candidatos à sucessão de Jaime Lerner (que tem apenas 17 meses de governo), firmaram compromisso público de, se eleitos e em caso de a Copel ser vendida agora, reestatizá-la pela busca de anulação judicial da venda. Tal perspectiva agrava o risco dos potenciais compradores da companhia.
Não se conhece na história do Paraná um governo e uma comunidade parlamentar tão obsessivos pela defenestração de um bem público, como agora ocorre, contrariando a manifestação da esmagadora maioria da população, comprovada por pesquisa da própria esfera governamental, sem contar o corolário de desvantagens para a sociedade com essa venda. A obstinação do governo, contra tudo e contra todos, chega às raias do incompreensível.
Mas que os paranaenses não se esqueçam: está nas mãos dos deputados a concretização ou não dessa estapafúrdia transação. Importa saber as razões desses intransigentes adversários do povo - e o termo é correto, porque eles contrariam a vontade popular. A informação agora tornada pública, quanto ao valor da empresa - que em princípio deve merecer fé, porque oriunda de um grupo imparcial, integrado inclusive por técnicos - é um fato novo e de extrema importância. Se a lei em vigor autorizando a venda (aprovada há já algum tempo) for mantida, então se terá certeza de que atuaram ‘‘forças ocultas’’ muito poderosas.

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