A queda do PIB
Numa semana de muita agitação, com a mobilização dos agricultores (que já está terminando), a manifestação da oposição prevista para hoje, em Brasília, a queda da popularidade do presidente e a alta do dólar em face do real, o fato mais importante foi a divulgação da queda do PIB brasileiro, em 98, segundo dados preliminares do IBGE. É a primeira queda no Produto Interno Bruto do País desde o início do Plano Real. Na verdade, esta é a causa maior de tudo o que está ocorrendo no País. Os produtores protestam, a oposição se mobiliza, o presidente perde o prestígio, a moeda nacional sofre contra o dólar, tudo porque o Brasil está vivendo um período de recessão, o que se percebe diante dos números do PIB. E a solução para todos os problemas que o governo enfrenta, também para as dificuldades que os brasileiros estão sofrendo, está na adoção de novas diretrizes de política econômica, com medidas sérias e concretas que objetivem a retomada do crescimento.
O fato de o Produto Interno Bruto cair pela primeira vez desde que foi lançado o Plano Real indica, claramente, que a etapa inicial do programa se esgotou. A bem estruturada engenharia do chamado plano de estabilização da economia garantiu uma importante modificação na vida dos brasileiros. Apesar de todas as dificuldades atuais, não se pode esquecer que como resultado do Plano Real um elevado número de pessoas deixou a faixa da miséria absoluta nos primeiros tempos do programa. Naturalmente, isto não é motivo para celebrações porque ainda existem milhões de pessoas vivendo em situação intolerável. O débito social do Brasil para com os miseráveis brasileiros é ainda imenso. Todavia, é fundamental notar que o caminho que se começou a trilhar com o plano de estabilização abriu novas portas.
A agitação social que o País está vivendo e que envolve não apenas os agricultores, mas ponderável parcela dos que trabalham, considerando-se aqui empresários e assalariados, é decorrente das dificuldades provocadas pela redução no PIB. Especialistas já têm alertado para a necessidade da adoção de medidas mais concretas visando retomar o crescimento econômico, ainda mais quando se percebe que a situação brasileira hoje é diferente da existente antes do real. É possível adotar um projeto de desenvolvimento que não provoque a temida volta da inflação sem controle. Na verdade, este é o momento adequado para isto. É necessário que se enfrente com disposição esta nova etapa, com a criação de alternativas para que a atividade em geral, no comércio, na indústria, no campo e nos serviços, se amplie.
Preocupado com as reformas estruturais, principalmente a tributária, o governo dá a impressão de ter-se esquecido de outras frentes. Nos últimos dias, alguns pronunciamentos oficiais deram esperança de que serão retomadas medidas capazes de modificar este quadro. O presidente do Banco Central (e também o próprio presidente da República, em seguida) abordou o tema dos juros cobrados pelos bancos, pelo comércio e pela indústria. Uma ação mais firme na contenção dos abusos cometidos na política de juros praticados contra a população (que no fim é quem sempre paga tudo) poderia representar um passo em busca de novas alternativas para alavancar a atividade produtiva. É necessário também que se continue a discutir a reforma na legislação do trabalho e que haja mais incentivos para o investimento produtivo. É vital pensar e adotar medidas capazes de estimular a atividade econômica, em todos os setores. Com isto, o PIB volta a subir. Como resultado natural, melhora a situação nacional e até mesmo o prestígio do presidente. E o País volta a crescer.

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