EDITORIAL - A política de exportação
Os efeitos econômicos dos atentados nos EUA poderão significar, para o Brasil, um superávit na balança comercial, porque as importações já começaram a diminuir. Tal, porém, ocorre por uma razão não muito festejável e sim porque as empresas que dependem de componentes importados reduziram a produção. A boa notícia será quando o saldo positivo ocorrer pelo aumento das exportações brasileiras e não por outra razão.
Naturalmente que para exportar mais o Brasil precisa rever suas políticas para o setor. A criação recente da Câmara de Gestão do Comércio Exterior não será o bastante se não forem removidos os obstáculos que os exportadores são obrigados a suportar.
Números da Associação do Comércio Exterior do Brasil (Gecex) mostram que existem 112 gravames inibidores das exportações, representados por tributos, taxas federais, estaduais e municipais e uma enorme relação de outros encargos e entraves. O governo nunca fez nenhum esforço para mudar essa situação e implantar, realmente, uma política de incentivo à exportação.
A Gecex anuncia uma série de missões comerciais a países populosos como a China, a Índia, a Rússia, o México, mas serão necessárias também ações internas, ou perderá credibilidade toda a propaganda governamental em torno do anunciado programa de exportações.
Também falta à maioria do empresariado brasileiro know-how para lidar com vendas externas e ainda vigora uma certa mentalidade de que exportações são para grandes empresas, não para as médias e pequenas.
Incumbe à Gecex realizar essas missões aos tradicionais e potenciais países compradores, mas faz-se urgente também uma campanha interna de esclarecimento e motivação para as exportações, e um dos primeiros passos deverá ser a eliminação dessa centena de impedimentos citados pela Associação de Comércio Exterior.
A entidade aponta para a necessidade de uma urgente purificação no regime controlador das exportações, com a eliminação da excessiva burocracia e dessa ''parafernália tributária'', que desanimam os tradicionais exportadores e desencorajam os novos.
A criação da Câmara de Gestão de Comércio Exterior poderá resultar apenas na ida de pomposas missões comerciais ao exterior, sem grandes resultados, se a estrutura interna não for convenientemente adequada e não passar realmente a operar a favor das exportações, e não contra como hoje acontece.





