Os esforços redobrados do presidente dos Estados Unidos para desencalhar o processo de paz no Oriente Médio não parecem muito próximos de sucesso. O motivo principal é o mais difícil que se pode imaginar: este é um conflito em que as duas partes têm carradas de razões em suas dúvidas e exigências, o que torna extremamente complexa a tarefa de quem quer que tente encontrar uma solução. Ninguém, em sã consciência, contesta o direito dos palestinos de ter de volta sua terra, tirada deles em 1948 para ali se criar parte do Estado de Israel. Os israelenses, por sua vez, também têm direito a viver em um país constituído e seguro, depois de séculos de esfacelamento e do holocausto das décadas de 30 e 40.
Quando o governo trabalhista israelense, então no poder, acertou um acordo com os palestinos de Yasser Arafat, abrindo caminho para um inimaginável entendimento no Oriente Médio, ressurgiu a esperança de se instaurar a paz numa região que é o berço das três maiores religiões monoteístas da Terra. Era, pensava-se, o primeiro passo para a convivência entre povos do mesmo chão que nunca souberam resolver pela razão e pelo espírito suas agudas e terrenas diferenças.
Israel, que tinha feito da força seu principal argumento, conquistando em sangrentas invasões mais territórios que os outorgados na partilha determinada pela ONU após a Segunda Guerra Mundial, aceitou a tese de trocar terras por paz. Devolvia o que conquistara pela força, e não só aos palestinos, e recebia em troca a garantia de poder viver em paz em seu território.
A idéia era tão boa e já estava funcionando: Israel devolvera o Sinai aos egípcios e formalizara com eles um acordo, inédito, de paz. Depois, passou a entregar territórios aos palestinos, que concordaram em tirar de sua Constituição as determinações que estabeleciam a destruição de Israel. Estava a caminho também um entendimento para a devolução das colinas de Golan à Síria, em troca, igualmente, de um acordo de paz.
Repentinamente, tudo empacou.
A derrota dos trabalhistas nas eleições israelenses, sem dúvida, pesou. O resultado das urnas - em que a vitória dos direitistas se deu por um fio - deu a impressão de que a maioria não apoiava o programa ‘‘terras por paz’’. Mas, havia um motivo muitíssimo mais grave: o terrorismo palestino, sempre bestial, recrudescera em Israel, estabelecendo o pânico e a indignação em todo o país. Os israelenses, não podendo mais confiar nos palestinos, voltaram à posição antiga, reafirmando que só com base na força poderiam ter um mínimo de segurança.
Os acordos de Oslo, que deram origem ao primeiro entendimento efetivo e direto entre israelenses e palestinos, davam a impressão de indicar o caminho para a solução de um conflito milenar. Os temores, justificados, de parte a parte, porém, ameaçam sepultar o que já foi conseguido. Os aspectos religiosos e econômicos da questão indicam a necessidade de novos esforços para recolocar as negociações nos trilhos da paz.
E a ONU deveria ter um papel de maior relevo nesses esforços. Como responsável pela decisão sobre a partilha original, deveria se empenhar para arredondar as arestas criadas entre todos os vizinhos da região, ponto inicial para se retomar a idéia corajosamente lançada por Yitzak Rabin.

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