A Organização das Nações Unidas vai ajudar o Brasil na luta contra o incêndio que está devastando Roraima. A notícia evidencia a preocupação mundial com um desastre ecológico que ultrapassa fronteiras. Antes de se formalizar a decisão da ONU, alguns países do hemisfério já enviaram auxílio para a dura tarefa e até mesmo nações bem distantes, como a Rússia, se ofereceram para participar da luta. O apoio internacional é importante e bem-vindo, mas o que mais chama a atenção é que a ONU fizera a mesma proposta de ajuda ao Brasil em novembro do ano passado, para combater incêndios que já ocorriam na mesma região. E, na época, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) não aceitou a oferta por considerar que a situação não era de emergência.
Das duas uma: ou o erro de avaliação foi muito grave ou a irresponsabilidade foi escandalosa. As duas hipóteses devem ser cuidadosamente investigadas para que se apure o causa real e tomem as medidas cabíveis - para punir, se for o caso, ou para evitar que erros desse tamanho aconteçam de novo.
O coordenador do Programa Amazônia da ONG Amigos da Terra, Roberto Esmeraldi, afirma que se a ajuda das Nações Unidas tivesse sido aceita há dois meses, teria sido possível evitar o desastre. Para completar, quando o governo de Roraima percebeu o tamanho da tragédia, pediu socorro à ONU mas era tarde demais. E além disso recebeu como resposta que só seria possível atender ao pedido se ele viesse do Governo federal brasileiro.
O que importa, naturalmente, é enfrentar o incêndio e apagá-lo. Mas esse tipo de imprevidência ou omissão não pode passar em branco, ainda mais por parte de um órgão que é o responsável pela preservação do meio ambiente e que, na mais otimista das hipóteses, errou flagrantemente na avaliação de uma situação que não poderia ter sido minimizada. Os prejuízos já sofridos são irrecuperáveis. E isto atinge não apenas o meio ambiente, mas vidas humanas, gente que perdeu praticamente tudo.
Desastres como este não podem mais ser encarados, no Brasil, como acidentais ou inevitáveis. Este é o ponto fundamental. Se a ONU ofereceu ajuda em novembro, é de crer que já então havia indicativos suficientes de uma situação que merecia atenção e medidas urgentes. E se o Ibama resolveu considerar tudo desnecessário, o que se poderia esperar é que resolvesse o problema com seus próprios meios. Para o que aconteceu depois, ou já estava acontecendo, sabe-se que o Governo brasileiro nem helicópteros para jogar água no fogo tem.
O Brasil tem uma responsabilidade primária em relação à Amazônia. E está absolutamente certo quando reage a tentativas de interferência externa ou a reprimendas sobre como administrar suas reservas ou seu território. Mas o Brasil precisa demonstrar ao mundo que tem competência para cuidar da Amazônia. Do contrário, estará sempre exposto à crítica internacional.
O Ibama é um órgão sobre o qual pesam graves responsabilidades que não podem ser descuradas. O erro cometido, seja qual for, deve servir de lição para que jamais se repita.

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