EDITORIAL - A nova política industrial brasileira
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segunda-feira, 22 de janeiro de 2024
Folha de Londrina 
A discussão em torno da nova política industrial proposta pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva revela uma complexidade que vai além das polarizações políticas. A crítica da Frente Parlamentar do Empreendedorismo (FPE), liderada pelo deputado Joaquim Passarinho, ressalta a preocupação com a repetição de modelos anteriores sem resultados significativos. Contudo, é crucial ponderar as justificativas do governo, que assegura ter desenvolvido a política após diálogo constante com o setor produtivo, buscando inspiração em experiências que deram certo nos Estados Unidos e na União Europeia.
O Brasil enfrenta desafios significativos relacionados ao processo de desindustrialização, e o tempo perdido nas últimas décadas não permite margem para erros. É inegável que a industrialização desempenha papel crucial no desenvolvimento econômico, proporcionando empregos, agregando valor aos produtos exportados e fortalecendo a competitividade internacional.
A crítica central da FPE gira em torno da contradição percebida na busca por aumentar a arrecadação federal enquanto, ao mesmo tempo, concede financiamento público para as indústrias. Passarinho destaca a necessidade de redução da carga tributária em detrimento de incentivos financeiros, sublinhando a importância de um equilíbrio nesse delicado cenário.
O economista Lucas Borges, do comitê do Insper, ressalta a vantagem competitiva do Brasil em diversas áreas, sobretudo em relação aos vizinhos na América Latina. Nesse sentido, a nova política industrial pode explorar de maneira inteligente essas potencialidades, revertendo a tendência recente de restrições às linhas de crédito para empresas que buscam expandir internacionalmente.
Diante das discussões, é crucial que o governo promova um diálogo aberto e transparente, incorporando críticas construtivas para aprimorar a eficácia da nova política industrial. O equilíbrio entre o fomento à indústria nacional, a redução da carga tributária e a busca pela competitividade global deve ser a tônica desse debate. Em um contexto em que o Brasil não pode mais se dar ao luxo de errar na área industrial, a colaboração entre governo, setor produtivo e parlamentares torna-se indispensável para o sucesso a longo prazo do país.
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