EDITORIAL - A normalização da violência contra crianças
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quinta-feira, 15 de abril de 2021
Folha de Londrina 
O caso do menino Henry Borel, 4 anos, cuja morte, no Rio de Janeiro, está sendo investigada e vem apontando como suspeitos a mãe e o padrasto da criança, trouxe à tona o problema da violência infantil. Mas, infelizmente, não é um caso isolado.
Um levantamento feito pela SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) revelou que, entre 2010 e 2020, pelo menos 103.149 crianças e adolescentes com idades de até 19 anos morreram no Brasil, vítimas de agressão. O estudo ainda mostrou que do total, cerca de 2 mil vítimas tinham menos de 4 anos.
Os dados de 2020 são preliminares, mas especialistas em saúde e segurança pública alertam que o isolamento social, medida necessária para conter a Covid-19, resultou em aumento da exposição das crianças a uma “maior incidência de violência doméstica”, o que, consequentemente, elevou também os casos letais.
A SBP acrescenta que, só em março de 2020, foi registrado, no Brasil, um aumento de 17% no número de ligações notificando a violência contra a mulher.
Independente da pandemia, os casos de violência contra crianças e adolescentes infelizmente sempre existiram, principalmente em ambiente doméstico, como explicou o presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, Marco Gama.
A violência contra a criança também preocupa quando ela vem na forma de tratamento humilhante, castigos físicas, condutas de ameaça ou que ridicularizem. São formas bastante prejudiciais à formação da personalidade e à saúde emocional.
A morte de Henry comprova uma situação extremamente triste: as agressões que causaram a morte de muitas dessas 103 mil menores e adolescentes não foram as primeiras. As vítimas fatais sofreram outros episódios de violência e os maus-tratos muitas vezes foram relatados a um adulto próximo, babá, parente, professora.
A Polícia do Rio constatou que no caso de Henry, a babá, a mãe, até a avó materna e uma tia teriam conhecimento das agressões que o menino sofria. Isso mostra que as esferas de proteção falharam e depois da tragédia vem a pergunta: por que ninguém ouviu ou deu atenção às reclamações da criança? Por que a nossa sociedade se mostra tão indiferente a queixas de maus tratos no ambiente doméstico?
A violência contra a criança não pode ser "normalizada" ou por omissão, ou por conveniência.
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