A menina Greice e a segurança
A descoberta ontem do corpo da menina Greice Carolina da Silva Melo, de apenas cinco anos, assassinada a facadas em Londrina, veio aumentar ainda mais o clima de insegurança que vem deixando a cidade em sobressalto. Assaltos, sequestros, tiros, mortes, atentado, vingança: nos últimos dez dias, Londrina protagoniza uma sequência de crimes como há muito não se via, incluindo a maior ação de uma quadrilha organizada já registrada na história da cidade. Por que tudo isso? Para os setores que acompanham sistematicamente a questão da segurança no Paraná, não restam dúvidas de que a base pode estar justamente na falta de uma atenção adequada ao setor, devido aos poucos recursos humanos e materiais constantemente reclamados e nem sempre atendidos.
Entre os organismos responsáveis pela segurança, porém, as explicações podem ser outras – ainda que não ajudem muito a reduzir os índices e muito menos a confortar os familiares das vítimas. Em meio à forte discussão que se trava na cidade, os comandos das Polícias Militar e Civil falam em ‘coincidência’ e período ‘atípico’, com o argumento de que o quadro atual não retrata a situação normal. Em Curitiba, em meio à confirmação do assassinato da menina Greice, o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, tomou a decisão de enviar um delegado operacional e cinco investigadores do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) para ajudar a delegacia de Londrina a investigar os crimes. Os policiais, segundo a Secretaria, ficarão na cidade por tempo indeterminado, como informa a ampla cobertura que a Folha de Londrina/Folha do Paraná publica hoje no caderno Folha Cidades. O Secretário reconhece que ‘‘alguma coisa está errada’’ para a ocorrência de tantos crimes graves. Também é aventada a possibilidade de o Grupo Águia, da PM, ser deslocado para o município, o que acabaria se transformando numa espécie de ‘intervenção branca’ em Londrina.
Fato é que a situação chegou a um ponto insustentável, com repercussão em todos os setores e propostas que chegam a surpreender. A Câmara de Londrina já lançou a idéia de os vereadores e representantes de outros segmentos montarem acampamento diante do Palácio do Iguaçu, justamente para pedir mais segurança ao governo do Estado. Trata-se, segundo os defensores da proposta, de um esforço extremo no sentido de despertar a atenção para uma situação que já fugiu a todos os parâmetros. A iniciativa também representaria mais do que o apelo em si: daria bem a dimensão de como se sentem os legisladores de Londrina diante da alegada falta de atenção do governo estadual em relação aos reclamos do município.
O simples anúncio de tal propósito dimensiona bem os dois aspectos, o do aumento na criminalidade e o de um posicionamento do governo, que não dá a impressão de levar a sério as reivindicações para a segurança, que incluem orçamento condizente, maiores efetivos, melhores recursos operacionais e mudanças no sistema carcerário, entre muitos outros. No começo do primeiro mandato do atual governador, já existia este tipo de queixa. Agora, diante da falta de soluções efetivas para os problemas que estão se tornando cada vez mais graves, a questão volta a ser enfocada. É válido notar, porém, que especificamente no que tange à segurança, não é só Londrina que tem a reclamar de uma falta de atenção. O quadro todo no Estado não chega a ser melhor do que o observado no Norte do Paraná. O que é real é que a criminalidade vem crescendo, e com ela a insegurança geral. Vale lembrar que uma das justificativas para o pretendido acampamento em Curitiba é a de deixar evidente a decepção do Legislativo londrinense com a Secretaria de Segurança. Outra, seria para evidenciar que o governo do Estado se mostra algo arredio ao contato com as lideranças locais.
Tem-se repetido vezes sem conta que a questão da segurança é uma das mais sérias obrigações do Estado em relação ao povo. Outros assuntos, inclusive saúde e educação, podem ter apoio maior da iniciativa privada. Já a segurança é coisa que só pode ser dada pelo governo do Estado. E no particular, não há desculpas que possam ser aceitas. Trata-se de exigir que o Estado priorize um setor pelo qual é totalmente responsável. Para conseguir isto, um acampamento talvez funcione. Mas, seguramente, uma grita estadual, envolvendo todas as forças atuantes da coletividade, teria efeito mais rápido e produtivo. Seja qual for o caminho, a certeza é uma só: é preciso que o governo dê uma resposta rápida e definitiva.

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