Editorial - A hora de pensar
O encerramento da propaganda eleitoral, hoje, marca a etapa final do processo relativo às eleições do próximo domingo. Termina a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV, assim como também se encerram as demais manifestações como comícios, carreatas, propaganda através de sistemas de alto-falante. A idéia é simples: pretende-se dar ao eleitor um período de silêncio para que ele possa, depois de ter sido informado pelos candidatos sobre suas propostas, fazer o julgamento e escolher sem pressões os nomes que vai sufragar em 4 de outubro.
Esta foi uma campanha diferente, em especial devido à possibilidade de reeleição dos chefes de Executivo, que criou uma situação jamais vivida. No passado, mesmo quando os chefes de Executivo se empenhavam em uma campanha, defendendo seus candidatos, havia sempre uma dissociação já que presidente ou governadores não estavam em julgamento direto. Isto era igualmente bom para a oposição que, mesmo tendo de enfrentar a pressão da máquina administrativa, tinha melhores condições de realizar sua campanha.
Desta vez, a coisa foi diferente. Presidente e governadores são também candidatos. A tese segundo a qual a reeleição dá a oportunidade de julgamento ao eleitor em face do que o titular do Executivo realizou, é parcialmente verdadeira. De fato, pode-se pensar em julgamento. Todavia não há como deixar de verificar que o presidente e os governadores no exercício de suas funções e, paralelamente, disputando um novo mandato, já começaram a campanha em vantagem. Em realidade, é possível dizer que estavam em campanha desde que a emenda da reeleição foi aprovada. Vale até lembrar o que ocorre nos Estados Unidos, onde a reeleição é permitida há tempos. Lá se diz que o presidente começa a campanha por novo mandato no dia mesmo em que assume pela primeira vez.
Aqui a campanha, para os detentores do poder, teve início com a promulgação da emenda da reeleição. Os adversários só puderam começar sua propaganda depois de escolhidos pelas convenções partidárias. E, mesmo agora, enquanto os políticos de oposição devem deixar os palanques (inclusive os eletrônicos), os ocupantes de cargos de Executivo continuam em evidência natural. O presidente e os governadores, inclusive porque não tiveram de se desincompatibilizar para concorrer, podem (e certamente vão) continuar aparecendo nos noticiários, por conta de suas atividades normais. Querendo ou não, isto é um tipo de divulgação, ainda mais às vésperas das eleições.
Este, porém, é um aspecto de uma questão definida há tempos. Talvez valha a pena retomar o debate sobre as anunciadas vantagens e as possíveis desvantagens do instituto da reeleição, numa eventual reforma política. Isto, no entanto, não modificará a realidade atual. É diante dela que o eleitor vai se colocar e é principalmente nestes dias finais, que antecedem o pleito, que cada um se definirá sobre o voto. Este é o tempo que precisa ser bem aproveitado em profunda meditação a respeito do que representa o voto, tão requisitado, e que constitui a afirmação do eleitor em relação a seu destino.
Nestes dias que vão até o encontro das urnas, o eleitor tem que se situar bem ante o quadro que lhe foi oferecido e definir-se com consciência, não só em relação ao presidente, ao governador, ao senador, mas também em face dos seus representantes nos legislativos federal e estadual. Ao longo da campanha, houve informação suficiente sobre programas e, também, a respeito das pessoas que se colocam postulando o voto. Os dias que faltam servem para que o eleitor pense bem e faça a escolha adequada, sabendo que dela depende o futuro do nosso Brasil.





