Reforma. Esta palavra surge, atualmente, como chave em todas as discussões sobre a situação econômica de países, empresas, órgãos públicos e até instituições de caridade. Pois toda iniciativa, mesmo sem fins lucrativos, deve estar apta a alcançar seu objetivo e isto não se consegue, no mundo de hoje, sem eficiência econômica. Neste fim de século, os desafios lançados pelos velhos problemas e pelos novos que vão surgindo só serão vencidos através da completa reestruturação da atividade econômica, na qual se deve alcançar altos níveis de eficiência no processo de produção e de qualidade no produto final.
Não por outro motivo, a grande discussão brasileira dos últimos anos se centra nas reformas estruturais. Pela mesma razão, o Congresso do Partido Comunista chinês, que acontece em Pequim, também se debruça sobre reformas cruciais para a economia de seu país, o mais populoso do mundo. Completando este quadro, na abertura dos trabalhos da Assembléia Geral das Nações Unidas, que acontece esta semana, o Secretário-geral Kofi Annan enfatiza a necessidade da aprovação de profundas reformas na organização, para que possa enfrentar, ela também, os desafios deste momento.
Os problemas da ONU não são exatamente iguais aos dos países-membros da organização. Mas na prática a entidade internacional tem pela frente o mesmo desafio: como fazer o máximo com o mínimo de recursos e tornar-se cada vez mais útil para o processo de paz no mundo. O objetivo maior da ONU vai além, não é só conseguir que seus membros vivam em paz, mas transformar-se num grande Parlamento mundial que possa ser o centro das deliberações sobre a vida na Terra. Desde a sua criação, após a II Guerra Mundial, a entidade quer ser o centro irradiador de decisões que promovam a união de todos os povos apesar de todas as suas diferenças.
A ONU não enfrenta dificuldades com legislações do tipo demagógico-paternalistas, como muitos países-membros. Não precisa resolver questões de desigualdade econômica entre segmentos da população. Mas tem problemas com uma imensa burocracia e, seguramente, não está imune ao jogo de interesses de grandes grupos econômicos. As dificuldades da ONU decorrem também, em grande parte, da falta de pagamento das cotas de muitos de seus países-membros - notadamente os Estados Unidos, seu maior mantenedor e, há anos, seu maior devedor. Mas o governo de Washington só paga se a ONU mudar, isto é, se fizer uma reforma que reduza a burocracia e os gastos. O recado é claro e direto, obrigando a ONU a rever suas estruturas e repensar seus custos.
A posição norte-americana não agrada aos que contestam este tipo de pressão. Mas, certo ou errado, o que não se pode esquecer é que sem reformas profundas a ONU pode soçobrar, como ocorre com muitos dos países-membros. O desafio também é claro e direto. Ocorre que os países-membros são os mesmos países que enfrentam desafios econômicos e sociais dentro de suas próprias fronteiras. E certamente aprenderão muito para vencer seus desafios internos se conseguirem reformar a ONU. Afinal, excesso de pessoal administrativo - que no Primeiro Mundo se chama de burocracia - e altos custos são problemas graves em todos os países no mundo inteiro.

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